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[Especial] "Chegar a Casa": «Escrever sobre o tema família é delicioso para qualquer argumentista»

Foto: Direitos Reservados

Chegar a Casa, a nova coprodução da SPi e da produtora espanhola CTV para a RTP e para a TV Galícia, é protagonizada por Joana Seixas a par com Miguel Ángel Blanco. Com um total de oito episódios, a série que se divide entre Santiago de Compostela e Arcos de Valdevez, pode ser vista todas as quartas-feiras, às 21h, na RTP1 ou a qualquer hora através da RTP Play. O Fantastic não ficou indiferente à nova aposta da estação pública e, por isso, estivemos à conversa com alguns membros da equipa técnica do formato, caras não se veem através das câmaras, mas que são essenciais para fazer a televisão acontecer. 

É a história de um casal recém divorciado que invade os ecrãs dos portugueses no horário nobre todas as quartas-feiras. O sentimento de perda, o luto, mas também o conceito de amor, amigos e família são bastante explorados ao longo do enredo que leva os telespectadores a viajar através da história de Marta (Joana Seixas), que sai de Santiago de Compostela diretamente para Arcos de Valdevez após o marido pedir o divórcio. Os dois filhos do casal: Filipe e Gabriel, acompanham a mãe na sua nova jornada passada em Portugal. Trata-se de um recomeço na vida de ambos os protagonistas, que leva a argumentista Joana Andrade a explicar que nesta série "há um lugar para cada um de nós, seja como a pessoa que perde um amor, como a que deixa esse amor para trás, seja como os filhos ou os pais que também, à sua maneira, sofrem em redor". 

"O intuito era contar uma história humana, que pudesse ter sido vivida por cada um de nós ou por pessoas que nos são próximas", revela ainda Joana Andrade, que apesar de ter tido a ideia para esta produção, não a desenvolveu sozinha. Filipa Poppe assina também o argumento de Chegar a Casa e em declarações à nossa equipa afirma que "escrever sobre o tema família é delicioso para qualquer argumentista", acrescentando ainda que este "é um universo que, de uma maneira ou de outra, é próximo de todos, é um poço sem fundo de complexidade, verdade e sobretudo de amor nas suas mais diferentes formas". 

Ainda que muitos se tenham identificado com a trama de Chegar a Casa, ambas as argumentistas nunca a viveram na primeira pessoa. Desta forma, o trabalho de pesquisa e de escrita foi ainda mais árduo. Filipa Poppe chega inclusivamente a comparar a escrita de um argumento e construção de uma história à leitura de um livro. "Criamos o nosso próprio universo e, por vezes, superá-lo é difícil, mas esta equipa fez um trabalho extraordinário", explica ao Fantastic.

Foto: Direitos Reservados

Se escrever o argumento é difícil pelo facto de o autor criar uma determinada ideia e expectativa em relação a cada cena que elaborou, o trabalho dos diretores de atores também se antevê de elevado grau de dificuldade porque têm a missão de fazer com que essas expectativas sejam cumpridas. No caso desta produção luso-espanhola, Rita Tristão da Silva partilhou com Marco Medeiros a função de procurar "novos caminhos, novas leituras, para que a cena resulte na ideia desejada", tal como explica este último ao nosso site. Contente com o resultado final do projeto, Marco Medeiros reforça que, enquanto diretor de atores, gosta de "desafiar o ator a resolver a cena, a pensar nela". 

Por falar em atores, é de salientar que Marta, a personagem interpretada por Joana Seixas, foi bastante elogiada não só pelos espectadores como pela autora Joana Andrade. "Temos sentido um grande carinho do público, que se ri e se emociona com este percurso da nossa Marta que a Joana Seixas tão bem agarrou", explica-nos. Destaque ainda para Miguel Ángel Blanco, Sara Casanovas, Rodrigo Tomás, Duarte Melo, Rui Melo, Rúben Gomes, Anabela Moreira, Rosa do Canto e Alfredo Brito, que também fazem parte do elenco de Chegar a Casa. 

Apesar de Rúben Gomes não ser a personagem principal da série, acabou por ser protagonista de um episódio que o operador de câmara Ricardo Correia partilhou com a nossa equipa. O técnico relata uma história caricata, que coincidiu com uma das cenas mais difíceis de gravar. "Lembro-me de uma cena com a Joana Seixas e o Rúben Gomes, que consistia num plano de sequência e que acabava muito em cima dos atores", começa. "A curiosidade é que foi tudo feito debaixo de uma chuvada artificial enorme", prossegue. 

"Bombeiros na cena a fazer chover, assistentes de câmara, chapéus de chuva enormes, material de imagem, luz e som o mais cobertos possível daquela tempestade", diz-nos. Por fim, Ricardo Correia sublinha que este tipo de cenas exige muita concentração por parte de toda a equipa porque "é sempre muito chato para os atores ter que repetir algo assim por causa de uma falha técnica."

Foto: Direitos Reservados

Para além de todos os desafios inerentes à produção da série Chegar a Casa, o estado da pandemia em Portugal no início deste ano também acabou por ser um obstáculo e Joana Andrade considera que a conclusão das gravações foi um "autêntico milagre". A verdade é que, nove meses após o término do período de rodagens, a série chegou à antena da RTP1 e o balanço foi muito positivo. O diretor de atores Marco Medeiros garante que "é bom quando o resultado final é fiel ao que desejávamos, mesmo com todos os imprevistos e mudanças de direção". 

O primeiro episódio estreou no passado dia 8 de setembro e o último está previsto para 27 de outubro. Se ainda não tiveste oportunidade de acompanhar a produção luso-espanhola podes rever todos os episódios já emitidos na RTP Play.