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Manuel Pureza: "Em 'Pôr do Sol', houve uma preocupação em nunca ceder a um tom vexatório do género da telenovela"

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Foto: Direitos Reservados

Pôr do Sol  estreou a 16 de agosto na RTP1 e, desde então, tornou-se um fenómeno de popularidade nas redes sociais. Embora não lidere audiências, os episódios têm tido cada vez mais espectadores na emissão em televisão e outra grande parte dos fãs da série tem acompanhado a sátira às novelas através da RTP Play. O Fantastic falou com Manuel Pureza, realizador e um dos autores da série portuguesa.

Trending no Twitter e com as citações e memes a gerar muitas partilhas no Instagram e no Facebook, poucos são aqueles que nos últimos dias não ouviram falar das aventuras dos Bourbon de Linhaça. "Quando começámos a pensar nisto, pensávamos que podia, naturalmente, tornar-se uma coisa muito querida pelas pessoas", começa por nos contar o realizador de Pôr do Sol, sobre este sucesso imediato da produção. "Quando, de repente, ir às redes é sinónimo de chegar a um planeta carregado de abraços e boa onda e mensagens positivas e apreço pelo que fizemos, isso é arrebatador. Chegar ao ponto do Herman José escrever um post sobre a série e ainda partilhar stories sobre o Pôr do Sol é o pináculo dessa surpresa", explica também Manuel Pureza ao Fantastic

Criada em tempos de pandemia, o realizador conta-nos ainda que o início dos trabalhos da série aconteceram via Zoom, mas que este foi um processo "muito feliz, desde o primeiro momento". No arranque, a equipa - composta por Manuel Pureza, Henrique Dias e Rui Melo - procurou "fazer um levantamento exaustivo de tudo o que normalmente se passa nas novelas, no geral" e, a partir daí, "o génio criativo do Henrique agarrou nesse conjunto de ideias e cozinhou uma estrutura que ia sendo submetida a vários test drives pelo trio".

Foto: Coyote Vadio

"Há uma coisa que, de facto, deveria ser sublinhada no meio disto tudo: é que a maturação da ideia e do argumento. Apesar de ter sido em tempo recorde, permitiu-nos falar sobre ela, opinar, procurar caminhos e ideias visuais fortes. Quando a RTP recebeu os scripts, já havia muito trabalho e, arrisco dizer, certezas em relação àquilo a que nos propúnhamos", explica Manuel Pureza ao Fantastic.

"Houve uma preocupação em nunca ceder a um tom vexatório do género da telenovela. Ou seja, partindo da premissa de que o que estávamos a fazer era uma novela 'a sério'  tive, obviamente de fazer o exercício de imaginar a captação das cenas de acordo com um código e uma linguagem de câmara mais próxima do registo da telenovela, afastando ambos dum cunho mais esclarecido ou menos descritivo do que aquele a que estou habituado nas séries 'normais'", revelou ainda o realizador da série produzida pela Coyote Vadio.

Manuel Pureza acredita que "a linguagem de novela, sobretudo em exteriores, se tem aproximado muito da linguagem de algumas séries, procurando um lado cinematográfico mais arrojado e moderno", um upgrade que, para si, "permitiu que nem tudo recorresse ao habitual campo, contra campo ou a uma linguagem constantemente descritiva e limitada nos seus recursos". 

Foto: Direitos Reservados

Se habitualmente uma telenovela é gravada maioritariamente em estúdio, com os cenários de interiores construídos de raíz para a gravação das várias cenas, em Pôr do Sol todos os episódios foram gravados em cenários reais. "Rodámos tudo em décors naturais, nunca em estúdio, o que nos obrigou a recriar uma linguagem habitualmente enclausurada entre três paredes e um corredor técnico, num ambiente exterior muito menos controlado", explica-nos.

"A montagem, em si, foi sendo descoberta, sem grandes dificuldades, apesar de sentirmos cedo que o diálogo non-sense obrigava ainda mais às falas surgirem em in, muito mais do que em off, para a eficácia do humor implícito nos diálogos", acrescenta também.  Já o lado mais psicológico dos planos e da sua sequência "foi, naturalmente, um aspecto que ficou relegado para segundo plano", uma vez que a história de Pôr do Sol "está assente nos pilares do género noveleiro que são reiterativos entre falas, pensamento e ação".

Carolina Deslandes, Cuca Roseta, Luís Trigacheiro, Diogo Piçarra, Saúl, Ana Malhoa ou Fernando Daniel são apenas alguns dos cantores portugueses que marcam presença nesta série, que está repleta de pormenores e easter eggs que só os mais atentos irão perceber. "Entre easter eggs e cameos, o Pôr do Sol é o tipo de projeto que não tem grande limite, a não ser aquilo que nos parece 'encaixar' neste universo de, sobretudo, levar as coisas muito a sério", reitera Manuel Pureza. 

Foto: Coyote Vadio

A presença de Toy em todos os episódios, nos quais interpreta a música do genérico a meio das cenas, de forma inusitada e sempre de formas diferentes é um bom exemplo. "Qualquer espectador atento sabe que o Toy é obrigatório no panorama das músicas aproveitadas para genérico e banda sonora de novela e programas de TV. Pareceu-nos óbvio que o Toy era também obrigatório no Pôr do Sol", adianta.

"Quando  decidimos gravar o teaser piloto da série, para a vender, contactámos de imediato o Toy e ele foi peremptório em aceitar de imediato o convite. É um tipo de uma generosidade sem limite e de um enorme sentido de humor. Tem uma noção clara do que resulta e do que não resulta e foi um contributo decisivo para o efeito 'viral' que queríamos para a banda sonora da série. É impossível não trautear as músicas do Toy o dia todo e isso é a prova da sua incrível capacidade enquanto músico. Tornou-se um dos nossos trunfos e, acima de tudo, um primeiro embaixador desta loucura", acaba por explicar o responsável ao Fantastic.

Foto: Coyote Vadio

Gabriela Barros, Diogo Amaral, Sofia Sá da Bandeira, Marco Delgado, Manuel Cavaco, Noémia Costa, Vítor D’Andrade,  Rui Melo, Susana Blazer, Rodrigo Saraiva, Sofia Aparício, Madalena Almeida, André Pardal, Igor Regalla, Carla Andrino ou João Baptista são apenas alguns nomes de um vasto elenco que interpretam as personagens que compõem a história na qual Gabriela Barros interpreta o papel de duas irmãs gémeas - Filipa Martins e Matilde Bourbon de Linhaça - separadas enquanto bebés.

Pôr do Sol conta com um total de 16 episódios, que podem ser vistos de segunda a sexta, às 21h00, na RTP1. A série está ainda disponível na RTP Play, com a antestreia do episódio do dia a acontecer às 12h00. O final da história está marcado para dia 3 de setembro, sexta-feira, com um episódio duplo que promete divertir os portugueses até ao último minuto.