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Ana Vilela da Costa é Graça Souza-Cardoso em “Amadeo”

Entre os vários projetos nacionais que chegarão este ano ao grande ecrã está Amadeo, a mais recente longa-metragem de Vicente Alves do Ó que promete apresentar um pouco mais sobre a vida de Amadeo Souza-Cardoso, um dos grandes nomes do modernismo no nosso país. O Fantastic esteve à conversa com Ana Vilela da Costa, atriz que interpreta Graça neste enredo, e que nos levanta um pouco do véu sobre esta nova produção da Ukbar Filmes.

Para Amadeo de Souza-Cardoso, a família é a raíz, a base, e mesmo sem uma grande expressividade nos afetos, o núcleo familiar tem um peso fundamental para a estabilidade do artista. Membro de uma família numerosa, os seus irmãos, todos eles muito diferentes são peças fundamentais para entendermos um pouco mais do que se passa na mente do protagonista desta longa-metragem. É nesse núcleo que se inclui Ana Vilela da Costa, a irmã mais nova do pintor que nos é apresentada como a “alegria da casa”. Nas palavras da atriz que lhe dará vida no grande ecrã, Graça é “uma jovem cheia de vida e de energia e com muita vontade de conhecer e ver o mundo, apesar de não ter tido grandes oportunidades para se dedicar a esse tipo de aventuras”


A família de Souza-Cardoso apesar de burguesa encerra a humildade de quem trabalhou com muito esforço para conseguir a estabilidade para colocar comida na mesa, uma vivência que molda as personagens que nos serão apresentadas nesta adaptação para o ecrã e que é uma das principais linhas para a construção dos personagens. Sem esconder o gosto pelas produções de época, Ana Vilela da Costa conta-nos que a sua Graça foi preparada e pensada através dos relatos da relação que existe entre esta irmã e o personagem central do filme, Amadeo, num trabalho que conhecimento que foi para além dos padrões comuns. “Foi preparada e pensada muito através da relação que ela tinha com o Amadeo, das informações que retirámos das cartas que ele trocava com a família. Outra fonte de inspiração usada para construir esta personagem foi a elaboração do mapa astral da Graça de Souza Cardoso. Sabíamos o dia, a hora, o ano e o local onde ela tinha nascido, tínhamos todas as informações para poder fazer o seu mapa astrológico e decidi usar essa informação para compor a personagem”, refere a atriz.


Tal como avançamos anteriormente nas conversas do Fantastic com Ricardo Barbosa e Raquel Rocha Vieira, antes do arranque das filmagens, o núcleo principal de atores e o realizador Vicente Alves do Ó viajaram até Amarante, terra natal de Amadeo de Souza-Cardoso, para trabalharem juntos na construção e desenvolvimentos dos personagens a que dariam vida nesta película reforçando os laços entre ambos de forma a que no momento em que se ouvisse “ação” as ligações afetivas já estivessem devidamente consolidadas transmitindo uma maior veracidade para o público. Para Ana Vilela da Costa, este processo foi algo importantíssimo para o resultado final da obra.


“O que podemos retirar deste tipo de encontro é o enriquecimento dos relacionamentos entre actores. Fazermos o trabalho de pesquisa em conjunto, as leituras e discussão do guião, visitar a casa do Amadeo, a cidade onde viveu a sua infância e juventude são coisas importantíssimas numa recriação histórica, mas o cozinharmos uns para os outros, o passarmos tempo juntos também o é, especialmente se estivermos a tentar recriar uma família. E esta combinação entre pesquisa e vivência é perfeita para a criação”, refere a atriz ao Fantastic, reforçando que este é um ponto que faz toda a diferença nos projetos do realizador Vicente Alves do Ó, com quem já tinha trabalhado em Al Berto, de 2017. 


“As residências artísticas com o núcleo central de actores em ambos os projectos são, diria, o principal ponto em comum e uma das grandes mais-valias de trabalhar com o Vicente Alves do Ó. Para nós, actores, este é um processo de trabalho valioso que nos permite desenvolver relações reais com os colegas para depois as transpormos para o trabalho, tornando-o muito mais rico. O Vicente tem essa capacidade de reunir e agregar equipas de uma forma bastante calorosa”, indica-nos a atriz que dividiu este processo de criação com Rafael Morais, Ricardo Barbosa, Raquel Rocha Vieira, Lúcia Moniz, Ana Lopes, Rogério Samora, entre outros.


Depois do sucesso em A Herdade, Ana Vilela da Costa volta aos cinemas nesta nova viagem ao passado, sem esconder o fascínio pelas recriações históricas e pelo trabalho de pesquisa a que estás personagens obrigam. “Há, de facto, qualquer coisa de fascinante numa recriação histórica. A pesquisa da personagem surge a par e passo com uma pesquisa de enquadramento sociocultural. Não se cria apenas, cria-se e recria-se ao mesmo tempo”, contudo, e apesar de em ambos os filmes a ação se situar no passado, a intérprete estabelece algumas diferenças. “O trabalho de pesquisa é também diferente quando se trata de uma ficção histórica, como é o caso d’ ‘A Herdade’, onde o foco é colocado numa tentativa de espelhar uma realidade específica, ou de um biopic, onde o objectivo é retratar pessoas que existiram, como é o caso do filme ‘Amadeo’. Nestes casos surge a responsabilidade acrescida de tentarmos ser o mais fidedignos possível, o tentarmos respeitar e honrar o melhor que conseguimos aquelas pessoas que, na maior parte dos casos, já não se encontram entre nós”, conclui a atriz ao nosso site.


Ainda sem data de estreia prevista, Amadeo promete ser um dos grandes títulos do cinema nacional a estrear em 2021, numa nova leitura da biografia de um dos nomes importantes da cultura em Portugal, que se junta às obras anteriores de Vicente Alves do Ó, na sua viagem pelos nomes grandes do mundo das artes no nosso país. A película conta com Rafael Morais como protagonista, num elenco que inclui nomes como Eunice Muñoz, Ana Lopes, Manuela Couto, Rogério Samora, Lúcia Moniz, Mariana Pacheco, Carla Chambel, Raquel Rocha Vieira, José Pimentão, Diogo Branco, Elmano Sancho, Carolina Amaral, Pedro Lamares, Duarte Grilo, Ricardo Barbosa, Carmen Santos, Hugo Nicholson, Jorge Vaz Gomes, José Neves e Luciano Gomes.