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Ricardo Barbosa é Eduardo Vianna em “Amadeo”

FOTO CRÉDITOS: Diogo Branco

A vida de Amadeo de Souza Cardoso é um das viagens prometidas pelo cinema nacional aquando da reabertura das salas de cinema. Ainda sem data de estreia revelada, Amadeo, é o próximo filme de Vicente Alves do Ó, numa passagem pela história daquele que foi um dos grandes nomes do modernismo em Portugal. A longa-metragem reúne um elenco de luxo, com várias caras conhecidas do grande público que nos acompanham neste regresso ao passado do país enquanto nos apresentam um pouco mais do homem para lá dos pincéis e das obras. Ricardo Barbosa veste a pele de Eduardo Vianna e em conversa com o Fantastic revela um pouco sobre o que podemos esperar do filme e como foi o processo de preparação para dar corpo a este personagem.  

Eduardo Afonso Vianna, além de amigo de Amadeo de Souza Cardoso é, também, um dos maiores pintores da primeira geração do modernismo em Portugal, figurando numa lista de nomes que de forma unânime têm o seu trabalho reconhecido com algumas das maiores obras da pintura nacional. Mesmo com o foco do filme apontado para Amadeo podemos acompanhar, também, alguns momentos da vida de Vianna, que em vários pontos se cruzou com a do homem que dá título à longa-metragem. 

Toda a estadia em Paris onde conviveram directamente com Pablo Picasso, Amadeo Modigliani, entre outros e onde se sentia que tudo era possível e que eram capazes de tudo; a volta a Portugal e a preparação da primeira exposição que o Amadeo faz no Porto, a relação com os Delauney e a Corporation Nouvelle ou mesmo em casos mais pessoais como quando o Vianna foi preso acusado de ser um conspirador foi o Amadeo e o Pai que o ajudaram; desde muito cedo se sente uma ligação entre os dois que a meu ver ultrapassava a amizade, era algo mais familiar”, estes são alguns eventos que vamos poder ver retratados no filme, numa ligação de proximidade entre os dois personagens que Ricardo Barbosa descreve como algo muito familiar. Eram tempos de descoberta e ele encontra em Amadeo alguém que vê o mundo como ele vê, que pensa como ele”, refere o ator.

Assumir um personagem que realmente existiu é um desafio para quem o interpreta, na tentativa de passar uma mensagem correta e abrangente para o público sobre quem é a figura que ali se apresenta, nesse sentido, o trabalho de pesquisa que é feito é um um dos pontos fundamentais para a credibilidade da ação, mas o que fica afinal de real e o que é fictício nesta histórias? É sempre difícil dizer o que é real ou fictício quando fazemos uma personagem que existiu e que muito pouco se sabe sobre ele, não existe registos em vídeo ou de voz por isso toda a criação que fiz foi através do que absorvi da sua obra e de tudo o que li sobre ele e sobre aquela época; através das cartas do próprio Amadeo onde claramente nos apercebemos que eram grandes amigos, que existia uma grande ligação entre eles desde os tempos em Paris e mesmo posteriormente em Portugal, onde o Vianna seria dos poucos amigos ou mesmo o único que convivia em Manhufe e onde passava grandes temporadas como se de um membro da família se tratasse, que tinha um grande sentido de humor, numa das cartas Amadeo diz até que o Vianna é o único que conseguia fazer rir a sua avó”, refere Ricardo Barbosa ao Fantastic, reforçando que a valorização do núcleo familiar descrito nas memórias de Amadeo será trazido para este filme biográfico.

A preparação para dar corpo a Eduardo Vianna incluiu aulas de pintura, algo que até despertou novos interesses no intérprete, uma visita ao espólio do pintor na Fundação Calouste Gulbenkian e documentários que ajudaram a compreender quem terá sido este homem, além, claro da visão que Vicente Alves do Ó, realizador desta longa-metragem, tinha sobre Vianna. Depois de absorver tudo aquilo que me foi possível saber sobre ele e sobre aquela época, aos poucos ele foi crescendo e ganhando vida, surgindo na forma de falar, no andar (o uso de roupas da época ajudam logo a mudar a forma do corpo se comportar) ou mesmo nas expressões que passas a fazer, aos poucos começas a mostrar o Vianna e como para ti ele era ou podia ter sido, espero ter feito jus aquilo que ele foi e que se pudesse ver o filme ficasse orgulhoso com esta homenagem”, desvenda Ricardo Barbosa, confirmando que a residência artística que levou o núcleo de atores central do filme durante uma semana para Amarante foi fundamental para a criação da união entre atores e que transparece a verdade que vamos poder encontrar no grande ecrã.

A nossa profissão é feita de criarmos famílias em todos os trabalhos que fazemos, e em alguns casos essas famílias continuam mesmo depois do trabalho terminar e neste caso isso aconteceu. Criamos uma ligação tão forte entre todos que dura até hoje e que acredito que enriqueceu o trabalho de todos no filme”,  uma ligação que acrescenta na veracidade que vamos poder ver no ecrã, mas que ajuda, também, a cumprir a visão do projeto que Vicente Alves do Ó tinha para cada personagem, num trabalho criativo que é pouco comum por cá mas que parece ter colhido frutos. “Para mim tudo isso foi fundamental para criar a ligação de amizade entre o Vianna, Amadeo e Lúcia, e o à vontade que o Vianna tinha com toda a família dele, os pais e os irmãos. Quando nos sentimos à vontade com as pessoas que estamos a trabalhar isso depois reflete-se quando ouvimos o Acção do realizador”, confessa Ricardo Barbosa que partilhou esta experiência com Rafael Morais, Ana Lopes, Raquel Rocha Vieira, Lúcia Moniz, Ana Vilela da Costa, entre outros nomes que compõem o elenco.

A afeição de Vianna e Amadeo que dão esse peso familiar à ligação entre os dois e a proximidade com que Vianna é recebido na casa de família em Mafamude é algo que era indispensável para uma representação fiel das personagens, até porque Amadeo de Souza Cardoso era um homem que não dispensava as suas raízes. É uma ligação forte, estiveram os dois muito presentes na vida um do outro em momentos muito importantes. E onde se percebe isso é na forma como o Vianna lidou com a morte do Amadeo, naquilo que li o Vianna sofreu muito com a perda do amigo ao ponto de ao longo dos anos sempre que se falava do Amadeo ele começava a chorar. Fiquei com a sensação que era uma relação mais forte que uma simples amizade, era algo familiar, de sangue, como se de dois irmãos se tratasse”, conta Ricardo Barbosa ao Fantastic, levantando um pouco do véu sobre o que vamos poder ver da realidade histórica nesta produção da Ukbar Filmes.

Quero-te Tanto, Solteira e Boa Rapariga e Golpe de Sol são alguns dos trabalhos em que Vicente Alves do Ó e Ricardo Barbosa se encontraram, numa parceria que começou com o filme Florbela em 2012 e que parece ser algo que no futuro vai continuar a existir numa relação na qual prevalece a confiança. Tenho tido o privilégio de trabalhar com o Vicente e de ele me dar estes desafios e oportunidades no cinema. É sempre bom quando trabalhamos com alguém que gosta de actores, que gosta de escrever para actores e de os dirigir, que sabe muito bem a história que quer contar e que faz de tudo para que consigamos dar o nosso melhor, mesmo quando duvidamos que não somos capazes disso, o Vicente tem esse dom de tirar o melhor de nós, de nos sentirmos confiantes em nos atirarmos do ‘penhasco’ porque ele vai lá estar para nos apanhar. Têm a capacidade de juntar pessoas muito diferentes que funcionam bem, de criar as tais famílias de que falo e que é muito importante quando sentimos que estamos todos em sintonia, acredito que neste filme mais uma vez ele conseguiu isso”, termina Ricardo Barbosa sem esconder o orgulho que sente por ter feito parte do projeto que em breve vamos poder ver nas salas de cinema.