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Raquel Rocha Vieira é Helena Souza-Cardoso em “Amadeo”

2021 leva-nos em mais uma aventura à cultura nacional no cinema. Amadeo Souza-Cardoso, o aclamado pintor modernista português será a figura central da nova longa-metragem de Vicente Alves do Ó, que depois de Al Berto e Quero-te Tanto volta a contar com Raquel Rocha Vieira no elenco do seu mais recente projeto. No enredo de Amadeo, a atriz será Helena Souza-Cardoso, irmã do artista e um dos pilares da vida familiar da figura central deste projeto. 

Ao nosso site, a intérprete revela que a afetividade da sua personagem foi o fio condutor para construir o seu entendimento desta personagem, num trabalho criativo que exigiu foco e determinação ao qual não poupa elogios. O filme não tem, ainda, data de estreia anunciada pela produtora Ukbar Filmes.

A Helena era uma mulher inteligente e ciente da sua realidade, nunca se desculpando pela sua curiosidade pelo mundo, empenhada na busca da sua liberdade, mas sempre preocupada com o dever de cuidar e olhar pela família”, apresenta-nos a atriz, esclarecendo que o entendimento do mundo da sua personagem serve como um apoio ao pintor, um caminho que será retratado na longa-metragem. Talvez daí o seu carinho especial, ternura e ligação com Amadeo, um homem que sempre lhe pareceu um pouco frágil e perdido. O meu percurso neste filme foi realmente um trabalho de suporte ao personagem Amadeo, estruturado e vivido exactamente para esse propósito”, refere Raquel Rocha Vieira ao Fantastic.

Na película que chegará em breve às salas de cinema, a família será uma das bases da narrativa. Além de Helena, Amadeo tinha ainda três outros irmãos, que serão representados no grande ecrã por Lúcia Moniz, José Pimentão e Ana Vilela da Costa, com todos eles a relação do artista era bastante diferente. A Helena era, dos irmãos, a que mais mostrava interesse na vida intelectual e artística do Amadeo. Comunicavam por carta, onde ela expressava o seu interesse, maioritariamente, por literatura. Trocavam ideias sobre a matéria e ele enviava-lhe ou trazia-lhe livros de Paris”, uma ligação de proximidade reforçada pela personalidade afetiva que Raquel Rocha Vieira dá à sua interpretação. Penso que este entendimento os levou a uma relação mais profunda, fazendo com que ambos não se sentissem tão sozinhos no seio da família. Ela fechada em Amarante, sem perspectivas de mundo, e ele nas suas vindas a casa, tendo uma irmã que entendia, pelo menos em parte, o seu lado artístico”, destaca.

O relato da vida de Amadeo Souza-Cardoso faz com que audiência embarque numa viagem à história, aterrando no início do século XX, onde a política e a religião eram as forças dominantes na vida de todos os portugueses e onde o papel das mulheres ainda se prendia com a vida doméstica e familiar. A familia Souza-Cardoso era uma familia burguesa rural, poderosa e muito religiosa, com acesso a tudo e com um grande desejo de educar os filhos da melhor maneira. Neste caso, enviando os rapazes para estudar em Londres e Paris enquanto as suas irmãs permaneciam em casa, com a mãe, entre Manhufe, Espinho e Porto”, descreve ao nosso site Raquel Rocha Vieira referindo que a realidade desta família era bastante distante da vida levada na capital do nosso país. O mais interessante para mim foi pensar no contraste entre o que ia acontecendo por esse mundo e a diferente velocidade do Portugal rural, tão longe do buliço das grandes capitais da Europa ou mesmo de Lisboa ou do Porto”, indica a intérprete que repete pela terceira vez a parceria com Vicente Alves do Ó.

Na fase de preparação de um filme, o Vicente faz questão de trabalhar com o núcleo central de actores, visando desenvolver e aprimorar um modo de trabalho que faça com que nós vivamos os personagens de uma forma visceral e, de certa forma, naturalista”, conta-nos Raquel Rocha Vieira que fez parte do grupo de atores que se instalou em Amarante durante uma semana para construir e fundamentar ligações entre o elenco que pudessem transmitir uma conexão maior no resultado final da película. Primeiro sem nos preocuparmos com o guião, somente com uma ideia das nossas personagens, o que nos deu a liberdade de nos irmos relacionando e moldando uns aos outros, sempre com o Vicente a servir de guia, conduzindo-nos para o destino que ele, enquanto criador, tinha definido. Para mim é muito importante este tipo de preparação, em que temos tempo e espaço para trabalhar com o realizador e os meus colegas actores sobre o guião, mas, principalmente, o que não está no guião”, a interprete refere que este foi um processo fundamental para estabelecer laços entre a equipa de trabalho e trazer um realismo “mágico”.

Para a atriz este trabalho de maior proximidade com o elenco, depois de um estudo em torno da biografia, foi fundamental para que aquilo que vamos poder ver seja um retrato apurado de uma estrutura familiar. Acredito que no cinema não devemos ficar presos a todo o trabalho de criação de personagem. Ao longo dos anos tenho vindo a descobrir que não existe mesmo um personagem, mas situações a serem vividas pelo actor. A verdade do actor deve estar presente no filme. Caso contrário, facilmente nos tornaríamos reféns dessa construção artificial a que costumamos chamar personagem”, para Raquel Rocha Vieira representar é “como andar em cima de água”, uma analogia que explica a sua relação com este processo criativo e que se traduz numa relação de confiança com Vicente Alves do Ó: O texto e a sua intenção são um mar turbulento e nós, actores, de alguma forma temos que chegar ao outro lado, seguros e secos e com uma linha de intenção clara para deixar o realizador e os outros actores seguirem o mesmo caminho. Um bom realizador faz-nos acreditar em nós mesmos, que vamos conseguir acalmar as águas e passar para o outro lado, às vezes molhados mas vivos. Ele só pode sossegar as ondas e ficar de braços abertos na outra margem. Sei que o irei sempre encontrar do outro lado. E isso é muito, salienta a intérprete que em 2021 nos vai acompanhar noutra viagem biográfica com Sombras Brancas, de Fernando Vendrell.

Amadeo tinha calendário de estreia previsto para 2020, mas a pandemia do novo coronavírus trouxe mexidas drásticas no cronograma do entretenimento nacional e mundial. Com Rafael Morais como protagonista, a viagem biográfica ao universo de um das maiores nomes da cultura modernista portuguesa deverá chegar às salas de cinema ainda em 2021 para nos apresentar a vida rica do pintor que apenas em 30 anos de existência viveu à frente do seu tempo com uma história de amor apaixonante com Luce Pecetto, personagem de Ana Lopes. Consulta as declarações de Ana Lopes sobre a sua personagem nesta longa-metragem de Vicente Alves do Ó neste link.