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Ana Lopes será Lucie Pecetto em “Amadeo”, a nova longa-metragem de Vicente Alves do Ó


Em 2021, Vicente Alves do Ó volta ser o nosso guia numa viagem pela vida de uma das figuras que marcaram a história da cultura nacional. Amadeo é o novo projeto do realizador que nos conta um pouco mais sobre a vida de Amadeo de Souza Cardoso, em três fases distintas da vida do pintor que marcou o modernismo português, e que terá Rafael Morais na pele do personagem principal da trama. Ao lado do ator estará Ana Lopes, que interpreta a mulher do artista, Lucie Pecetto, numa história de amor que nos promete envolver. O Fantastic esteve à conversa com atriz, que nos conta um pouco mais sobre esta nova longa-metragem que deverá chegar às salas de cinema ainda durante o primeiro trimestre deste ano.

Com destaque para o “privilégio” que sentiu por integrar este elenco, Ana Lopes relata ao nosso site como construiu a sua visão sobre Lucie. Através de várias cartas que tivemos acesso, escritas pelo Amadeo à Lucie, consegui perceber que era uma mulher frágil fisicamente. Ele chama-lhe de Passarito. Ela era o pássaro e ele era a árvore. Soube que dentro da sua fragilidade, encontrava um estoicismo, em termos de apoio e acompanhamento na vida e na arte do pintor”, avança a interprete, que ao lado de Rafael Morais teve de transpor para o filme uma paixão avassaladora que se torna numa devoção mútua que se expressa na arte. Percebi que o amor deles era algo que não se vê facilmente, algo tão forte e puro, que a fez viver dos 28 aos 99 anos, viúva, e dedicada a um homem que já não estava presente em corpo, mas que a alimentava incessantemente. Os seus quadros, tornaram-se nos filhos que nunca chegaram a ter”, conta-nos.

Com Lucie e Amadeo entramos no início do século XX, mais precisamente nos anos de 1914, 1916 e 1918, à boleia das duas figuras que fazem parte da história da cultura e que trazem uma exigência maior para a sua construção no ecrã. O facto de ser uma mulher real, colocou a barra bem mais alta. Para além de ter sido uma mulher extremamente importante na vida do Amadeo, criando até polémica em relação ao quase anonimato das suas obras, foi uma mulher que viveu no início do século XX. Ou seja, para além de fotografias, cartas e testemunhos de familiares (que já a conheceram em idade avançada), não havia qualquer registo de vídeo. Não sei como ela falava, andava, sorria e respirava. Tive de me basear na grande história de amor que viveu com o Amadeo e usar a ligação que tive com o Rafael Morais, para encontrar aquilo que imaginei que ela poderia ter sido”, confessa Ana Lopes, deixando o seu desejo de que espera ter feito justiça à personalidade da mulher que foi uma dedicada guardiã da obra do seu marido.

Depois de Florbela e Al Berto, esta será a terceira longa-metragem de época de Vicente Alves do Ó. A experiência do, também, argumentista foi uma mais valia para o resultado final que vamos poder ver nas salas de cinema em breve.Sinto que o Vicente tem uma grande capacidade de captar cada época com a sua essência própria. Faz um grande trabalho de pesquisa e investigação e isso nota-se nos seus filmes”, realça a atriz. Lucie Pecetto é descrita como uma mulher à frente do seu tempo mas segregada pela sociedade dominada por homens, tidos como chefes de família, estas condicionantes são alguns dos detalhes que moldam a atuação de Ana Lopes. “No Amadeo sente-se ainda muito a falta de liberdade feminina, uma contenção nos modos de expressão, na forma de sentir. Era um mundo masculino. As mulheres tinham o seu mundo confinado. Casavam, viviam para o marido. A linguagem é muito diferente, o que por vezes torna a improvisação mais difícil”.

Amadeo surge na vida de Ana Lopes ainda antes da sua estreia em televisão na série Luz Vermelha, realizada por André Santos e Marco Leão para a RTP, a artista não esconde o orgulho nos dois trabalhos e conta ao Fantastic as diferenças que sentiu entre as gravações de uma história para cinema e uma produção  planeada para o pequeno ecrã. Quando tive o privilégio de poder integrar o elenco do filme Amadeo do Vicente Alves do Ó, ainda não tinha grande experiência, nem numa coisa nem noutra. Senti que a grande diferença talvez seja o tempo que temos para fazer uma longa metragem em relação a uma série. Na televisão, o tempo de resposta é mais rápido, mais activo. Torna-se desafiante criar uma personagem ou uma ligação ao texto de forma tão espontânea, quase automática. Enquanto formação, acho que é uma parte bastante estimulante na nossa prática como actores”, constata a intérprete garantindo que a sétima arte era um dos seus objetivos para a sua carreira. 

A experiência não podia ter sido melhor: Adorei o preciosismo, o tempo de pesquisa, a forma como nos ligámos à narrativa. O Amadeo tornou-se no nosso mundo, na nossa realidade durante 3 meses. Criámos uma família”, termina Ana Lopes, que nesta biografia terá ao seu lado Raquel Rocha Vieira, Ricardo Barbosa, Ana Vilela da Costa, Lúcia Moniz, Eunice Muñoz, Rogério Samorá, Manuela Couto, Carla Chambel, Elmano Sancho, José Pimentão, Mariana Pacheco, Carmen Santos, Pedro Lamares, Diogo Branco, Carolina Amaral, Duarte Grilo, entre outros nomes do meio artístico nacional. A produção está ao cargo da Ukbar Filmes e promete levar-nos de Amarante a Paris enquanto nos conta a vida de Amadeo Souza Cardoso.