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Fantastic Entrevista - Palmers: "Um dos nossos maiores objetivos é sermos uma inspiração para outras raparigas"

Foto: Palmers (Direitos Reservados)
São das Caldas da Rainha, formaram-se em 2017 e chamam-se Palmers. A banda de punk rock é composta por Raquel Custódio (voz e bateria), Cláudia Brás (baixo e voz) e Vasco Carvalheiro (guitarra) e conta com dois EPs lançados. "Younger Days", de 2018 e "Running Thoughts", de 2019, são os dois trabalhos anteriores. Agora, em 2020, lançam dois novos temas - "GLA" e "One More Day". O Fantastic esteve à conversa com os três artistas sobre o percurso dos Palmers.

Como é que surgiram os Palmers? Vocês já se conheciam há muito tempo, antes de criarem a banda?
 
Cláudia: Nós já nos conhecíamos, porque eu e o Vasco somos namorados e a Raquel começou a ir à minha loja, era minha cliente. A partir daí começámos a falar, muitas das vezes sobre música, e ficámos os três amigos.
 
Raquel: Depois a ideia surgiu quando vimos um concerto dos The Sunflowers, aqui nas Caldas da Rainha. O Vasco já tocava guitarra e eu tocava bateria, então ele sugeriu que experimentássemos tocar juntos. Um dia combinámos, tocámos no sótão da minha avó, e parece que resultou. Depois a Cláudia quis experimentar tocar baixo...
 
Cláudia: Sim, porque inicialmente eu ia lá e ficava só a vê-los tocar. Mas depois peguei no baixo, e acabámos por ficar os três. Depois começou a tornar-se uma coisa cada vez mais regular, porque vínhamos ensaiar todos os domingos. Foi assim que começámos a perceber que isto poderia ser algo um bocadinho mais sério.
 
 
O nome “Palmers” deriva do nome da protagonista do Twin Peaks, a Laura Palmer. Há uma analogia com o universo da série do David Lynch ou foi só o nome que vos atraiu?
 
Vasco: Não há uma ligação direta, mas acho que as nossas músicas também têm uma história e desde o início que, de alguma forma, temos referências cinematográficas. Eu e a Cláudia somos muito fãs da série e daquele universo, daí o nome ter sido usado para a banda. Mas, de outra forma, não é uma ideia vincada, ele simplesmente surgiu e nós gostámos da ideia.
 
Cláudia: Quando sugerimos o nome à Raquel, ela gostou imenso da ideia, e acabámos por adotá-lo. Foi assim que nasceu o nome da nossa banda.
 
Foto: Palmers

Essa parte cinematográfica está também muito presente nas ideias mais visuais do vosso trabalho. Quando vemos os vossos videoclipes, somos remetidos para os finais dos anos 80, início dos anos 90. Porquê esta opção?
 
Cláudia: Não é propositado, mas lá está, é uma estética da qual nós gostamos. É uma estética mais antiga, mais vintage, que acaba por nos influencias. De qualquer forma, nunca pensámos em usar essa linguagem de uma forma marcada. A não ser no videoclipe da música “Foggy Night”, porque até filmámos em cassete. Por isso esse sim, foi pensado para ser um vídeo que se aproximasse dessa ideia.
 
Vasco: No caso do videoclipe da “Hate You”, por exemplo, que foi gravada em chroma key, essa ideia de criar um visual antigo, mais vintage, também está presente.

Quando escolhem as músicas para as quais gravam um videoclip, essa escolha tem a ver com a história visual que o tema vos sugere ou com o facto de o quererem lançar como single?
 
Raquel: Às vezes tem muito a ver com o ser single. Mas nós também nos deixamos levar pelo facto de gostarmos de fazer videoclipes. Por nós, fazíamos vídeos para todas as músicas. Mas às vezes também tem a ver com o facto de fazer sentido - ou não – que aquela música tenha um vídeo. Mas normalmente, os singles são as músicas que fazem mais sentido, porque são as que vão sair cá para fora.



Acreditam que, cada vez mais, a parte visual de um projeto musical é importante e mais atrativa para o público?
 
Vasco: Eu acho que uma boa música é sempre uma boa música, que vai ser sempre ouvida. Mas sim, há probabilidade das pessoas gostarem mais se tiverem um vídeo para ver e, dessa forma, relacionarem-se com o tema.
 
Cláudia: Normalmente, gosto muito de ver a música no vídeo e há músicas que até ganham outro sentido. Até posso achar aquela música engraçada, mas quando vejo todo o conjunto – música e vídeo – esta transforma-se noutra coisa ainda melhor. Mas lá está, uma boa música é sempre uma boa música.
 
Raquel: É sempre engraçado tentar fazer uma conexão entre a letra, o instrumental e a imagem visual. Isso faz com que as pessoas pensem no conceito do vídeo, juntamente com a música. Porque há vídeos que não têm necessariamente que ver com as letras ou com o instrumental. Mas acaba por te ficar na cabeça, ao tentares imaginar como é tivemos aquela ideia para aquela música.
 
 
Para além de lançarem as vossas músicas nas plataformas digitais, têm também editado as mesmas em formato cassete. Porquê esta opção?
 
Raquel: Primeiro porque nós gostamos mesmo muito do formato vintage. E depois, porque este é o formato menos dispendioso. Nós já tínhamos pensado em vinil, mas o orçamento não deu para tal. Como nós gostámos do resultado final e do design, optámos por fazer também em formato físico e neste caso foi em cassete.
 
Cláudia: Para nós é mesmo importante o formato físico. Como a parte visual é importante, ter o nosso trabalho nas mãos faz com que ele se torne real e não apenas digital.
 
Raquel: E por exemplo, eu lembro-me de ouvir um álbum durante a minha adolescência num leitor de MP3 e quando comecei a comprar vinil, ouvi o mesmo álbum nesse formato e as diferenças eram enormes. Acho que fiquei mesmo pasmada a ouvir aquilo, e comecei a descobrir pormenores de som que nunca tinha notado. A qualidade é completamente diferente, por isso a experiência também o é.
 
Foto: João Machado
 
Quem vê um concerto dos Palmers, percebe que vocês se transformam completamente. No dia-a-dia assumem uma postura talvez mais reservada e tímida, mas quando estão em palco, assumem uma persona. Têm noção que isto acontece?
 
Raquel: Sim, eu acho que temos essa noção. (risos) E isso acontece porque, acima de tudo, nós estamos a fazer uma coisa da qual gostamos muito e acaba por ser um escape à nossa realidade, à nossa vida. Acabamos por nos esquecer do quanto somos tímidos e só pensamos em mostrar o máximo de nós. E no meu caso, descarrego um bocado das minhas “más energias” na bateria. Acho que acaba por acontecer o mesmo a todas as minhas influências em termos musicais. Os membros dessas bandas são uma cosia no palco e no dia-a-dia são outra. Isso é uma coisa que as pessoas não estão muito habituadas a distinguir, a diferença entre aquilo que se é no palco e o que se é fora dele. É um bocado como um ator que está a fazer uma personagem, assume-a quando está em cena, no palco, mas fora dele não é aquela personagem.
 
Cláudia: Mas lá está, não é uma coisa propositada. Não é ensaiado, nem combinado.
 
Raquel: Eu diria que é o nosso lado mais wild...
 
Cláudia: Sim, e depois também depende do ambiente, se nos estamos a divertir ou não, depende do público e daquilo que sentimos que este nos está a dar. Se houver uma boa energia, isso vai mexer connosco e faz com que consigamos exprimir-nos melhor, ainda por cima enquanto estamos a fazer aquilo que gostamos.
 
Raquel: Mas ao início, sempre que subíamos ao palco ficávamos mesmo em pânico...
 
Cláudia: E ainda hoje ficamos nervosos! Agora já lidamos melhor com isso, mas ainda acontece claro. Depois chegamos ao palco e esquecemo-nos de tudo isso!
 
Raquel: E ajuda-nos a ser menos tímidos, sem dúvida! A dificuldade, por vezes, é pensar que tenho todos os olhares em cima de mim. E isso cria uma certa pressão. Mas eu acho que isso ajudou-me a ser um bocadinho menos tímida.
 
 
A pandemia fez com que parassem durante algum tempo. Ainda assim, conseguem retirar algo positivo de todo este confinamento, de toda as privações que a pandemia nos trouxe?
 
Cláudia: Como banda, serviu para trabalharmos juntos, porque se tivéssemos com concertos, não tínhamos gravado estas novas músicas, quase de certeza. 
 
Raquel: E o fato de termos estado separados no confinamento, de não termos ensaiado, também provocou algo. Nós ensaiávamos praticamente todas as semanas, não falhávamos uma e o facto de termos estado afastados, acho que até fez bem. Quando voltámos, parecia que vínhamos com mais energia e com mais perspectivas. Parece que as ideias fluíam melhor, não entrávamos naquela ideia de rotina. Isso acabou por ajudar na criação de mais músicas. Deu também para experimentarmos coisas novas e isso enriqueceu-nos muito, como banda.
 
 
 
No fundo, o que a quarentena vos trouxe está diretamente relacionado com os dois sentimentos antagónicos que estão presentes nas vossas duas novas músicas. O bloqueio criativo, por um lado e a liberdade de pensar, por outro. Começando pela primeira música, “GLA”, falem-me um bocadinho sobre este tema.
 
Raquel: A música é sobre a primeira viagem que fizemos a Glasgow, na Escócia. E na verdade, já a tínhamos tocado ao vivo, neste último concerto que demos em 2020. O que aconteceu foi que durante o processo de gravação, fizemos algumas alterações em relação a esta versão inicial.
 
Segundo as vossas palavras, “GLA” reflete “o sentimento de procura por um lugar onde realmente nos sentimos confortáveis e com o qual nos identificamos”. Qual é o vosso lugar, aquele em que se sentem realmente em casa?
 
Cláudia: É em Glasgow (risos).
 
Vasco: Na verdade, nós temos um bocado esse sonho de morar lá. Mas, eu diria até que é esta sala, a nossa sala de ensaios. Nós sentimo-nos muito bem aqui, enquanto estamos a tocar.
 
Raquel: O “sonho” de Glasgow é outro patamar... São realidades completamente diferentes.
 
Cláudia: E foi muito bom termos feito essa viagem, quer a nível pessoal, quer como banda. Porque nós não fomos lá tocar, decidimos simplesmente ir viajar, e fomos os três.
 
Por outro lado, a segunda música, “One More Day”, teve origem nos bloqueios criativos e falta de motivação e “expressa o quotidiano e a acomodação mas também o desejo de não desistir porque no fundo todos os dias são uma nova oportunidade”. Esta é uma questão com a qual se deparam muitas vezes?
 
Vasco: Sim, é uma constante. Ainda hoje estava a sentir-me assim.
 
Raquel: O bloqueio criativo também me acontece constantemente. E quanto mais quero que a ideia venha, mais difícil é. Às vezes o melhor é mesmo parar, e deixar para outro momento.
 
Cláudia: Às vezes tens a ideias, mas não sabes bem como é que as podes concretizar.
 
Raquel: Também tem muito a ver com o nosso dia-a-dia, com os nossos trabalhos, com a nossa vida para além da banda.  

Foto: Palmers
 
Sendo uma banda das Caldas da Rainha, a vossa sala de ensaios está situada numa pequena aldeia, em Óbidos, de onde a Raquel é natural. Na maior parte dos concertos, acabamos por ver muitos dos habitantes da terra, pessoas de diferentes faixas etárias. Como é que vêm esta influência que, de alguma forma, têm junto das pessoas que moram aqui?
 
Raquel: Acaba por ser muito engraçado, porque eu nunca imaginei que isso fosse acontecer. Porque a nossa música vai ao encontro de um género que se calhar as pessoas que moram cá não estão habituadas a ouvir e por isso nunca achei que tanta gente quisesse ir e apoiar. Para mim até foi um bocado estranho, mas muito positivo e bom. De qualquer forma, todos nós sentimos mais pressão a tocar  em frente a pessoas que conhecemos bem, do que para desconhecidos.
 
 
Quais são as vossas expectativas em relação à recepção que o público terá destes dois novos temas?
 
Raquel: É sempre uma incógnita... Mas o feedback do público para nós é mesmo muito importante. Não há nada melhor do que quando nos dizem que gostaram das nossas músicas e nos dão força para continuar. 
 
Cláudia: E quando dizem que estamos evoluir, essa é mesmo a melhor parte!
 
Raquel: Às vezes, quando nós vamos tocar - seja no Porto, em Lisboa, ou noutra cidade portuguesa- aparece sempre alguém que estudou na ESAD, nas Caldas da Rainha, que vem ter connosco e diz: “Vocês fazem-nos lembrar aquelas bandas dos anos 90, das Caldas”. E isso é tão bom! É que nós, nessa altura, éramos crianças, e por isso não nos lembramos o que é que se ouvia nessa época nas Caldas. Mas isso chega a ser emocionante, toca-nos um bocado.
 
Vasco: Nós, surpreendentemente, temos público de faixas etárias muito diferentes. Por exemplo, até pessoas com 50 anos que gostam mesmo no que fazemos. Isso é mesmo muito engraçado.
 


Porquê escrever apenas em inglês?
 
Cláudia: Na verdade, nunca pensámos muito nisso...
 
Vasco: Parece que agora cantar em inglês voltou a não ser fixe! (risos)

Raquel: Agora estão a surgir mais bandas a cantar em português, é verdade... Mas, na verdade, eu acho é mais fácil de compor em inglês. Isto talvez não seja o mais correto de se dizer, mas é complicado tu conseguires criar uma boa música, com uma letra mais complexa, e que soe bem, que não chegue até a ser pirosa e que capte a atenção do público.

Vasco: Mas lá está, foi algo muito natural, nunca pensámos nisso. Por exemplo, as minhas influências são quase todas cantadas em inglês...
 
Raquel: Nós deixamos o português para quem sabe... para o Luís Severo, por exemplo.

Vasco: Ou para o Sérgio Godinho...
 
 
Quais são as vossas maiores influências, enquanto banda?
 
Raquel: Como banda, temos a Courtney Barnett, o Ty Segall, Fontaines D.C. e os Idles, embora, neste último exemplo, não sejamos tão agressivos como eles no som, acabam também por nos inspirar. Em Portugal, podemos referir os The Sunflowers, os Fugly e os The Parkinsons, por exemplo.
 
 
E o que é que gostam de ouvir, a nível pessoal? Quais são as vossas influências?
 
Vasco: Eu tenho muitas influências, não só na música, mas também, por exemplo, na fotografia, até skaters. Eu vou buscar influências a várias áreas, não consigo escolher só alguns. Mas a nível musical, oiço muitas coisas diferentes. Às vezes, há um mês e que só oiço um género de música, depois no outro oiço outras coisas.
 
Cláudia: Este verão, ouvi imensa música mais dançável. Por exemplo, Parcels. Andei a ouvi-los de forma quase obsessiva. Mas se for preciso, no mês seguinte já estou a ouvir algo completamente diferente. É um bocado por aí, ando sempre muito a saltitar. A nível lírico, as Chastity Belt são uma grande influência para mim. Quem escreve as letras para a banda é a Julia Shapiro e acho que o que ela escreve é muito aquilo que eu também quero dizer. Por isso, mais do que a banda em si, é a Julia, e as várias bandas das quais ela faz parte.

Raquel: Eu acho que puxo muito para aquilo a que costumam chamar britpop – e que eu também chamo de indie rock. A minha banda favorita são os Franz Ferdinand. Mas por exemplo, dos artistas portugueses, tenho ouvido agora o primeiro álbum do Moullinex, que eu adoro. Sou fã, mesmo. Mas sim, as minhas influências passam muito pelo britpop.
 
Foto: Palmers
Como Palmers, onde é que se imaginam daqui a 15 anos?
 
Cláudia: Daqui a 15 anos, teremos uma sala de espetáculos em Glasgow e temos uma editora lá (risos).
 
Raquel: E vamos estar a tocar no Barrowlands, em Glasgow! (risos) Agora a sério... Eu acho que nós somos bastante sonhadores – não ambiciosos, mas sim, sonhadores. De qualquer forma, temos mais projetos para desenvolver – não só com os Palmers - e seria bom que estes se concretizassem. Mas tocar no Reino Unido é, sem dúvida, um objetivo.

Vasco: Acho que o sonho de qualquer banda é poder viver da música. Não sei se isso alguma vez nos vai acontecer, mas eu diria que esse é o grande objetivo. No fundo, a música passar a ser a nossa profissão, mesmo que não façamos muito dinheiro com isso, porque essa nem é a prioridade. Acho que neste aspeto, os músicos portugueses ainda têm muita dificuldade. Têm que ter sempre uma outra profissão, nem que seja um part-time.

Cláudia: Exatamente, e depois a música acaba por se tornar um hobby.
 

A que é que acham que se deve essa dificuldade em assumir a música, ou outra área artística, como único trabalho?

Raquel: Eu acho que em Portugal acontece uma coisa, que abrange quase todas as áreas da cultura, que é o facto de termos muito talento em todas as áreas, mas temos muita dificuldade em viver daquilo que realmente gostamos de fazer em termos artísticos. E na verdade, muitas vezes a culpa é do Ministério da Cultura. Se calhar, se o dinheiro que usam para apoiar as Touradas, por exemplo, fosse utilizado para apoiar a Cultura, estaríamos noutro patamar. Até porque nós somos dos países mais eclécticos, em termos musicais. Nós temos bons artistas em todos os géneros. Se tu fores, por exemplo, a Inglaterra, tens mais artistas na área do indie rock e do punk; se fores a Espanha tens um género de música muito próprio, maioritariamente cantado em espanhol; ou até mesmo na América do Sul, onde apostam muito no reggaeton. Em Portugal,  tens bons nomes em vários géneros: na música de dança, no rock, no pop... E eu acho que o que falta é mesmo mais apoio, isso faria com que tivéssemos mais oportunidades.

Cláudia: E também ainda há muito aquela ideia de que, por ser feito cá, no nosso país, é de qualidade inferior. Embora isso já comece a mudar um pouco... Às vezes tu começas a ouvir uma banda portuguesa, que nem sabes que é de cá e quando percebes, pensas: “Que bom, isto está mesmo bem produzido!”

Vasco: Tens o exemplo dos The Sunflowers. Quando os ouvi pela primeira vez, embora já soubesse que eram portugueses, achei incrível, porque nunca pensei que era possível fazer música assim em Portugal.

Raquel: Uma das maiores provas disso mesmo são os The Parkinsons. Eles são de cá, mas foram para Londres, formaram-se e fizeram grande sucesso lá, nos anos 2000. E só depois da visibilidade que tiveram lá fora é que começaram a ter o reconhecimento no nosso país. The Legendary Tigerman, por exemplo, quando tocava a solo, ficou mais conhecido depois de tocar fora do nosso país.
 
 
Enquanto banda, quais são os vossos grandes objetivos?

Raquel: Acho que um dos nossos maiores objetivos é conseguirmos ser uma inspiração para outras raparigas, para que estas arrisquem mais e deixem os medos de lado. Isto, porque temos duas raparigas na banda, que é algo que não se vê muito em Portugal, ter raparigas a tocar. E atualmente é um assunto muito debatido na indústria da música, o facto de veres muito poucos headliners femininos nos festivais de música. A presença feminina acaba por ser desvalorizada e é um bocado objetificada.

Cláudia: Isto, sempre com a ideia de criar um ambiente seguro, onde essas mesmas raparigas se sintam confortáveis para atuarem. Porque nós sempre gostámos de ir a concertos e, lá está, é raro ver bandas com mulheres. Depois de criar a banda, apercebemo-nos, ao longo do tempo, que somos bem recebidos, e isso é muito bom. Até porque, às vezes, algumas raparigas vêm ter connosco nos concertos e dizem-nos que as inspirámos e motivámos a tentar fazer algo do género também. Saber que estamos a ser exemplo para que raparigas mais novas comecem a tocar, a cantar ou a produzir, seja em que estilo for, é incrível, dá-nos uma motivação extra.
 

Foto: André Pereira
PALMERS - QUEM É QUEM?
 
Vasco Cavalheiro, 26 anos
Estudou Som e Imagem. É técnico de luz no Centro Cultural de Caldas da Rainha
Uma paixão: Cinema
Um hobby: Cozinhar
Um livro: Amerika, de Franz Kafka
Um filme: Paranoid Park, de Gus Van Sant
Um álbum: Magick Songs, de JEFF the Brotherhood
 
Raquel Custódio, 27 anos
Estudou Fotografia. Vai voltar a estudar, desta vez Produção e Criação Musical
Uma paixão: Fotografia
Um hobby: Ginásio
Não gosta de: Desvalorização do trabalho dos outros
Um livro: Aparição, de Vergílio Ferreira
Um filme: Whiplash, de Damien Chazelle
Um álbum: Nights Out, de Metronomy
 
Cláudia Brás, 30 anos
Estudou Animação Cultural. É gerente da loja de roupa “Gold Velvet”
Uma paixão: Moda
Um hobby: Costurar
Não gosta de: Intolerância
Um livro: 1984, de George Orwell
Um filme: Blue Velvet, de David Lynch
Um álbum: Love Letters, de Metronomy
 
 
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Fantastic Entrevista - Palmers
por André Pereira
Outubro de 2020