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Viajar porque Sim #2 | "Entre a natureza e a história"



Passeios em percursos privilegiados, igrejas originais, um castelo bem conservado… há de tudo um pouco neste roteiro de fim-de-semana. Vamos andar a pé para sacudir o sedentarismo da vida citadina, conhecer um pouco mais da história de Portugal, e descobrir alguns lugares surpreendentes. Venham daí!

Dia 1
Barrinha de Esmoriz – Cortegaça – Santa Maria da Feira

Com cerca de 400 hectares, a Lagoa de Paramos é a maior área lagunar da região norte de Portugal. Está ligada ao Atlântico por canal estreito, rodeada de dunas e canaviais e desde há alguns anos também por um belíssimo passadiço de madeira com a extensão de 8 km. É aqui, neste lugar mais conhecido como Barrinha de Esmoriz, que vamos começar o nosso primeiro dia. Há vários pontos de acesso a estes passadiços mas eu sugiro a entrada sul, cerca de 500 metros a seguir ao edifício dos Bombeiros de Esmoriz e junto a um grande parque de estacionamento. 

Foto: Barrinha de Esmoriz
Nesta entrada o passadiço começa junto a uma linha de água, bifurcando um pouco mais à frente. Continuem pela direita para contornar a lagoa primeiro por leste e depois ao longo da margem norte até à zona dunar que marca o início da praia. É um percurso circular (há painéis explicativos em vários pontos do caminho), sendo a ligação ao ponto de partida feita passando na ponte arqueada que cruza a lagoa – o ex libris destes passadiços – e seguindo depois pelo lado sul, onde existe um observatório de aves. Dependendo da altura do ano, além das habituais gaivotas e patos de várias espécies, é possível avistar guinchos, galeirões e galinhas-de-água, pernilongos e pilritos, garças, águias-sapeiras, e também alguns pássaros menos comuns como o bispo-de-coroa-amarela ou o chamariz.

Foto: Barrinha de Esmoriz - Bispo
Depois de algumas horas em contacto pleno com a natureza é altura de ir para outras paragens. A escassos 5 km de Esmoriz encontramos a vila de Cortegaça, que tem como ponto principal de interesse a bela Igreja Matriz de Santa Marinha. O templo original tem origens no séc. XII mas foi demolido em 1918 e substituído pela actual igreja, cuja particularidade maior é estar completamente revestida de azulejos azuis e brancos decorados com motivos vários e figuras religiosas. Interessantes são também os jazigos do Cemitério Velho, mesmo ao lado, uns melhor cuidados do que outros, com lindíssimos portões em ferro forjado e cantarias trabalhadas, alguns deles também forrados a azulejo.

Foto: Igreja da Cortegaça

De Cortegaça a Santa Maria da Feira são só 10 km, e esta será a última paragem do dia. A cidade é bonita e tem muito para ver mas é imprescindível começar pelo Castelo, um dos mais interessantes e bem preservados do nosso país. Anterior à fundação de Portugal (já existia em inícios do séc. XI), foi um dos castelos mais importantes do reino ao longo de vários séculos até ter sido praticamente consumido por um incêndio em Janeiro de 1722. Deixado ao abandono durante mais de cem anos, a sua recuperação só se iniciou em meados do séc. XIX.

Foto: Castelo da Feira

O Castelo da Feira é talvez aquele onde podemos perceber melhor os vários tipos de meios defensivos de que eram dotados os castelos medievais. Nele encontramos a habitual barbacã (fortificação que protegia a entrada para o castelo), mas também uma tenalha (pequena obra de fortificação exterior criada no séc. XV para proteger a torre de menagem) e ainda uma casamata, a cujo corpo inferior se acede por uma escadaria descendente. Os vários pisos da Torre de Menagem funcionam actualmente como espaços expositivos ou para eventos. No exterior, junto à entrada, foi mandada edificar uma capela em 1656 pela 6ª Condessa da Feira, dedicada a Nossa Senhora da Encarnação e decorada em estilo barroco.
   
Castelo da Feira
http://www.castelodafeira.com/
Horário (de terça a domingo, incluindo feriados) – Verão (Abril a Setembro): 10h-12h30 e 13h30-18h30 / Inverno (Outubro a Março): 09h-12h30 e 13h30-17h30; última entrada: 30 minutos antes da hora de encerramento. Informações / Marcações: telefone 256 372 248 e-mail: castelosantamariafeira@gmail.com

Foto: Castelo da Feira

Na descida para a cidade passamos pelos jardins do castelo e pelo Convento dos Lóios, que também tem um museu. Numa das paredes exteriores da Câmara Municipal as atenções vão para uma obra de Vhils, a sua primeira criação artística em cortiça, relembrando que o município da Feira congrega o maior pólo mundial de transformação deste material.

Foto: Convento dos Lóios

Uma visita a Santa Maria da Feira não poderia ficar completa sem provar o pão doce típico da cidade: a fogaça. Com uma forma que remete para as torres do castelo, as fogaças estão intimamente ligadas à Festa das Fogaceiras, uma tradição que já tem mais de 500 anos e cumpre ano após ano a promessa feita a São Sebastião para que o santo livrasse da peste os habitantes da região. Nesta festa anual que se realiza em Janeiro as fogaças são benzidas durante a missa e depois carregadas em procissão por meninas vestidas de branco. Vendidas em vários estabelecimentos da cidade, sugiro que experimentem as do Museu Vivo da Fogaça. Além das tradicionais, têm fogaças de vários outros tipos e tamanhos, e a dificuldade estará certamente na escolha. O ambiente é acolhedor e muito bem decorado, ideal nestes dias mais frescos para acompanhar a fogaça com um chá ou café bem quentinho.

Dia 2
Parque das Ribeiras do Rio Uíma – Ul – Válega

Hoje começamos também com um passeio pedestre, este mais curto que o do dia anterior, para conhecer o Parque das Ribeiras do Rio Uíma. É um percurso quase todo em passadiço de madeira, plano e muito fácil, e acompanha maioritariamente o Rio Uíma numa zona densamente arborizada e muito bonita. Tem início na localidade de Fiães, junto a um parque de estacionamento na EN 326, e desenvolve-se em dois lados separados desta estrada: para norte o percurso mais curto, com cerca de 400 metros, terminando na ponte da Tabuaça; para sul são cerca de 1200 metros e termina na rua do Rio Uíma, onde existe um outro parque de estacionamento. 

Foto: Parque das Ribeiras de Uíma

Ao longo do percurso a água corre em abundância e há pequenas represas e canais. É possível observar vários aspectos da flora e fauna característicos do local, devidamente identificados com painéis informativos. Existe uma torre de observação de pássaros, na zona sul, e um abrigo do lado norte que tem a mesma finalidade.
 
O próximo destino fica a cerca de 30 km para sul, depois de Oliveira de Azeméis, e é mais um local para continuar a usufruir da natureza, da água e do ar puro. Em Ponte da Igreja, perto de Ul e junto ao rio que tem este mesmo nome, encontramos o Parque Temático Molinológico. É um parque aberto com 29 hectares onde foi criado um núcleo museológico do moinho e do pão com o propósito de mostrar e manter vivas as estruturas seculares da moagem de cereais (em moinhos accionados pela força da água) e de confecção das famosas padas e regueifas de Ul. Há vários edifícios expositivos, um forno tradicional e um bar, um belo parque de merendas no meio das árvores – ideal para piqueniques – e ainda dois trilhos pedestres sinalizados para passear dentro do parque: a Rota dos Moleiros e a Rota do Castro.

Foto: Parque Molinológico de Ul
    
Parque Temático Molinológico
Rua da Ponte da Igreja, 3720-604 Ul
http://ptm.cm-oaz.pt
www.facebook.com/moinhosptm
Horário: 9h-12h30 e 14h-17h30
Informações: telefones 256 683 170 / 925 661 458 ou email: parque.moinhos@cm-oaz.pt

A última proposta deste roteiro é a maravilhosa igreja de Válega, sem dúvida o mais vistoso exemplo da aliança entre o carácter decorativo e o aspecto prático do azulejo na arquitectura religiosa portuguesa. Também conhecida como Igreja de Nossa Senhora do Amparo, a sua construção teve início em meados do séc. XVIII, prolongando-se por mais de um século, pelo que a traça é nitidamente de inspiração barroca. Tal como a igreja de Cortegaça, as suas paredes estão completamente revestidas de azulejo. Mas enquanto os azulejos das laterais e da parte de trás têm um padrão simples em azul e branco, a fachada é fortemente colorida – e é inquestionavelmente o local onde os nossos olhos mais se demoram quando a vemos de fora. 

Foto: Igreja de Válega

Os enormes painéis de azulejo com cores vivas (pintados à mão) que representam várias cenas da iconografia católica são emoldurados e realçados pelos elementos estruturais da igreja em granito cinza. Tanto os azulejos interiores como os exteriores foram produzidos no final da década de 50 pela Fábrica Aleluia, situada em Aveiro. A igreja de Válega está orientada para oeste, por isso é ao pôr-do-sol que os azulejos da fachada adquirem maior brilho e tonalidades ainda mais quentes – um local ideal para terminar este nosso roteiro.
 

Viajar porque Sim #2
por Ana CB / Novembro 2019

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