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Fantastic Entrevista - Aini Portugal (Catarina Mavilde & Joana Coelho)


Aini Portugal é um duo de Dança Oriental composto pelas bailarinas Catarina Mavilde e Joana Coelho. Com vários prémios conquistados a solo e em grupo, são um dos grupos que mais se destacam actualmente no panorama da Dança Oriental nacional e internacional. Nesta entrevista, falaram-nos da criação do grupo, das diferenças e desafios de dançar em bares, do seu processo criativo, do papel dos concursos na sua carreira, entre outros temas.

Quando começaram a dançar?
Joana Coelho: Em 2008.
Catarina Mavilde: O meu primeiro contacto com a dança foi aos 12 anos (2004) nas danças urbanas, e mais tarde em 2011 comecei a praticar Dança Oriental.

Quando e como surgiu a ideia de se juntarem como grupo?
CM: Foi no avião, a caminho do Festival Egito em Barcelona, no ano de 2014. Nós conhecemo-nos à entrada do aeroporto e surgiu durante a viagem de regresso a ideia de experimentar dançar em conjunto.

Quais são as vossas maiores influências artísticas?
JC: Dentro da Dança Oriental tenho vários bailarinos e professores que me inspiram. Para além dos bailarinos, tudo o que me rodeia é uma grande influência nas minhas criações.
CM: Tenho vários bailarinos de Dança Oriental que me inspiram, por diferentes motivos, não só pelo modo como dançam mas também pelo que transmitem. Para além da Dança Oriental, inspiro-me em diferentes estilos artísticos, seja dança, música ou outra arte. Gosto de absorver novo vocabulário e ideias. 
Como dupla temos influências em comum: Marta Korzun, Dariya Mitskevich, Khaled Mahmoud, Nada El Masriya, Mohamed Shahin, Farida Fahmy, Mahmoud Reda, Vaagn Tadevosyan, Julia Farid, Oxana Bazaeva.



Contem-nos um momento marcante na vossa carreira como grupo ou a solo.
Aini Portugal: Um dos momentos marcantes como professoras e coreógrafas foi a organização integral e construção coreográfica de um espetáculo onde a Dança Oriental surgia em distintas vertentes, caracterizando as 4 estações.

Relatem-nos um momento menos bom na vossa carreira individual ou a solo.
Aini Portugal: Entre competições/espetáculos existe sempre períodos de pausa coreográfica. Tornam-se muitas vezes períodos menos bons no nosso desenvolvimento. São resultado da falta disponibilidade, pois cada uma de nós tem outras atividades profissionais.

As duas dançam muitas vezes a solo e em grupo em bares árabes como o Khan El Khalili (Porto), Souq Bar e Luxor (Aveiro). Quais as diferenças e os maiores desafios de dançar em bares árabes?
Aini Portugal: Dançar em bares árabes ou “normais”, cá em Portugal, é exactamente igual. O público em geral procura entertainers (animadoras) e não propriamente bailarinas profissionais, numa perspetiva artística. Após várias tentativas em apresentar um repertório artístico verificamos que o público nem sempre corresponde da mesma forma em relação a uma animação. Muitos gostam de ver um repertório artístico (no palco), e recebemos esse feedback, no entanto há uma maior receptividade quando existe interação com o público.
Como bailarinas profissionais temos de adaptar o nosso espetáculo aos diferentes locais e ao público. Tentamos sempre incluir as duas vertentes no nosso espetáculo.

Quais os maiores benefícios e os maiores desafios de dançar em grupo?
Aini Portugal: A questão mais exigente em grupo é a criação. Necessitamos de sintonia em vários parâmetros: disponibilidade (para ensaiar), inspiração (para o processo criativo) e metodologia (preparação pré e pós-ensaio). Para garantir que haja um bom trabalho de equipa e uma evolução, é necessário ter um plano de atividades a longo prazo de forma a conseguirmos atingir os nosso objetivos. Ao trabalharmos em grupo desenvolvemos a nossa criatividade, surgem novas combinações coreográficas, partilhamos conhecimento, debatemos assuntos e crescemos como bailarinas e professoras.



Podem falar-nos um pouco do vosso processo criativo a solo e em grupo?
Aini Portugal: A solo ambas temos um processo criativo volátil! Depende muito do nosso estado emocional, o que nem sempre é favorável ao desenvolvimento coreográfico. Em grupo conseguimos excluir as nossa emoções deste processo em parte, e acabamos por adotar uma metodologia semelhante à que usamos a solo: normalmente estipulamos um calendário anual de projetos coreográficos. 

O primeiro passo é fazer uma seleção de músicas com o estilo que vamos coreografar. 
Depois em conjunto escolhemos uma música que nos identifiquemos (o que tem sido fácil).
O terceiro passo é cortar a música de acordo com as especificações do evento em questão. 
Em quarto lugar, passamos à construção coreográfica:
- Dividir a música em partes, criando uma imagem visual.
-Ouvir várias vezes cada parte da música e debater aquilo que cada uma ouve, trabalhando a leitura musical.
-Improvisar cada parte da música.
-Definir passos para cada parte, nivelando o estilo.
-Filmar cada parte e avaliar.
-Ensaiar vezes sem conta.

As duas são professoras em várias escolas no Norte do país. Quais são as maiores dificuldades em ensinar Dança Oriental em Portugal?
Aini Portugal: Angariação de alunos e objetivo das aulas. A dança não é promovida em geral pelas escolas em detrimento de outras modalidades. A Dança Oriental cá em Portugal não é uma dança social e regulamentada, o que dificulta a promoção da mesma. Por outro lado, quando as pessoas procuram a modalidade nem sempre é pelo fator artístico.

As duas participam em concursos há vários anos e têm vencido vários prémios em grupo (1º lugar em duas categorias no Oriental Dance Weekend 2017, Aini Ya Aini 2017, Bellyquality 2018, entre outros) e vários prémios a solo, de onde se destacam o 1ºlugar na Categoria Profissional no Oriental Dance Weekend pela Catarina Mavilde e o 3ºlugar no Bellyquality 2018 em Espanha, no caso da Joana Coelho. Qual é a vossa opinião sobre os concursos e a competição na Dança Oriental?
Aini Portugal: A competição em qualquer atividade tem igualdade nos parâmetros de apresentação e avaliação, o que não acontece na Dança Oriental. Os parâmetros variam em todas as competições não havendo uma estrutura sólida de avaliação e de competição, contribuindo para a banalização da dança, acabando por apenas ser um negócio e um palco de promoção. Nós competimos de forma a desenvolver as nossas competências, criando uma metodologia mais exigente a nível coreográfico (com mais regras). E também de forma a promover o nosso trabalho a nível nacional e internacional - uma vez que nem sempre há possibilidade de ingressar num “Open Stage”.


Quais as vantagens que os prémios que têm vencido trazem para o vosso percurso artístico?
Aini Portugal: No meio comercial, os prémios não têm tanta força a nível de reconhecimento, como no meio do ensino e na comunidade de Dança Oriental, onde é mais visível.

Qual a vossa visão sobre a Dança Oriental portuguesa actualmente?
Aini Portugal: Ainda há um longo caminho a percorrer dentro da comunidade de Dança Oriental. 
Como bailarinas e defensoras desta arte, devemos procurar a todo o custo mudar a perspectiva do público em geral e também de profissionais de outras modalidades, relativamente à Dança Oriental. E isso implica tomar medidas desde o repertório de músicas, à caracterização e às tipologias de eventos.
Devemos procurar introduzir a Dança Oriental em mais contextos artísticos e dignos. É necessário haver uma maior união na comunidade, que é ainda tão pequena!

Que dicas dão às bailarinas que estão a surgir e que querem seguir a Dança Oriental de forma profissional?
Aini Portugal: Procurem trabalhos dignos, ou seja, em que o vosso espetáculo seja valorizado de forma artística e não como entertainer. Se estão a iniciar o vosso percurso preparem com tempo o vosso espectáculo, tenham em atenção as condições em que irão apresentar a vossa performance. Criem dinâmicas entre as atuações. 
Atribuam um valor fixo ao vosso cachê, se são bailarinas profissionais então o cachê deve ir ao encontro disso: à preparação do espetáculo, aos figurinos, à localização, e a tantos outros fatores. Não oscilem valores ao longo do tempo e da vossa evolução profissional. Nunca deixem de fazer formação, pois como profissionais ainda maior é a vossa responsabilidade em representar esta arte, que está em constante evolução.

O que acham que se pode fazer para a Dança Oriental se desenvolver mais em Portugal?
Aini Portugal: Desenvolver um projeto anual gratuito, de forma a criar momentos de partilha entre bailarinas e não só que permitisse o desenvolvimento da comunidade da Dança Oriental. Ex: Encontro Nacional de Bailarinas de Dança Oriental (ENBDO). É um projeto que pretendemos lançar juntamente com quem tiver disponibilidade de organizar.


Se vos pedisse para nomearem um livro, uma peça de dança e uma música que achem que toda a gente precise de ler, ver e ouvir, quais seriam? E porque é que os escolheriam?
Para filme: Moulin Rouge. Este filme para ambas foi um filme que nos marcou na nossa adolescência, foi um dos musicais que impulsionou a nossa criatividade artística. A interpretação de várias obras musicais emblemáticas com toda a caracterização entre a comédia, drama e romance tornou-se para nós uma peça artística que nos envolveu de certa forma com a dança e o mundo do espetáculo. Na música, Beyoncé. No campo da música tivemos vários artistas que nos infuenciaram ao longo da nossa vida mas destacamos a Beyoncé por considerarmos ser uma artista completa. No campo dos livros escolhemos O ciclo da Herança. Podemos dizer que literalmente devoramos estes livros. O mundo da fantasia  épica sempre nos fascinou
.
O que é que ainda gostavam de alcançar na vossa carreira em grupo e a solo?
Aini Portugal: Temos muitos projetos e sonhos pela frente!! Tantas possibilidades que fica difícil de escolher uma só coisa. Mas o nosso objetivo principal é conseguir que ser bailarinas e professoras a full-time na Dança Oriental.

JC: Joana Coelho
CM: Catarina Mavilde
Aini Portugal: Resposta das duas bailarinas

Fantastic Entrevista - Aini Portugal (Catarina Mavilde & Joana Coelho)
Por Rita Pereira
Setembro de 2019

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