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COMING UP | Glee



O mundo das séries teen que conhecemos hoje é muito diferente do que era em 2009. Em parte, Glee é um dos principais culpados depois de introduzir na sua trama uma luta pela representatividade, contra os estereótipos e preconceitos. Hoje, celebram-se 10 anos desde a estreia do primeiro episódio da série de Ryan Murphy, afinem as vozes que é hora de visitarmos aquilo que Will, Finn e Rachel nos ensinaram.

Com altos e baixos, quer no contexto quer nas audiências, durante seis temporadas a história do clube que integrava membros ostracizados por não pertencerem aos padrões exigidos pela sociedade conquistou os fãs. Conseguiu a façanha de pôr o “dedo na ferida” em temas como o bullying e a igualdade de género ao som de músicas que incendiavam os tops mundiais e se tornavam ícones da Cultura Pop.


Lady Gaga, Madonna, Britney Spears, Michael Jackson são apenas alguns dos artistas homenageados nas mais de 750 músicas interpretadas pelos atores do elenco. “Don’t Stop Believin’” é até hoje recordado como o hino da narrativa. Mesmo sendo uma canção de 1981 do grupo Journey, a versão mais conhecida atualmente é a que foi gravada para o episódio piloto e interpretada pelos New Directions.

Com várias formações ao longo das seasons, os New Directions são o centro de todo o universo deste projeto. Na batuta do professor de espanhol Will Schuester reavivar o Glee Club parecia uma missão impossível quando apenas cinco alunos se candidatam às audições. Contudo, é neste episódio que somos apresentados aos talentos de Tina, Artie, Mercedes, Kurt e claro, Rachel. Longe dos holofotes da fama nos corredores da William McKinley High School e sem capacidade para se adaptarem aos clubes de desporto ou às cheerleaders, eles procuram um lugar, um grupo onde significassem algo, tudo o resto era apenas um ganho colateral.


Depois deles, e ao som de “Can’t Fight This Felling” surge pela primeira vez Finn, que se iria tornar num dos mentores do clube, mas que à data era apenas um dos bullys da equipa de futebol, ao lado de Puck. Apesar de ser o amor à primeira vista da protagonista, o quarterback é comprometido com Quinn Febray, presidente do clube de celibato e líder de um grupo de mean girls que atormenta a vida das raparigas menos “perfeitas”. Tudo isto sem saber que seria ela o retrato de um dos problemas abordados pela história da FOX. Apesar dos ideais que defende perante a sociedade, a jovem acaba por trair o namorado e engravidar, fruto de uma relação fugaz com Puck. Chamando a atenção da classe jovem que assistia a série para um dos problemas do século XXI.


Todos os protagonistas têm uma mensagem a passar naquela que é a premissa da série: Conseguir que os seus espectadores tivessem uma mente mais aberta. Mercedes procura impor-se no mundo da música apesar do seu peso e da sua cor. Mostrando que mais que o físico, o seu talento é o mais importante. São mais que muitos os personagens com temáticas ligadas à sexualidade, mas poucos conseguiram ser ícones tão grandes como Kurt. Assumidamente homossexual, passamos a pente fino o percurso do fã de “Single Ladies” ou “Born This Way” até se tornar aceite pela comunidade ao lado de Blaine, para juntos formarem um dos casais mais emblemáticos da trama. Nesta questão temos ainda Santana e Britney que com muitas indas e vindas conseguem fazer o seu amor vingar num duplo casamento ao lado de Kurt e Blaine. Unique foi, talvez, a mais polémica representação da série. Wade Adams deixa para trás os Vocal Adrenaline para se juntar aos New Directions, na busca pela aceitação como jovem transgénero.

O revés de Glee começa a notar-se quando os alunos séniores seguem as suas vidas para lá do ensino secundário em direção à vida adulta. Com os novos integrantes a deixarem a desejar quanto ao carisma e com a inspiração nos originais a ser bem mais notória do que seria de esperar, a narrativa começou a perder a pujança. A quinta temporada chega carregada com a memória e a dor dos fãs depois da morte de Corey Monteith. O ator que dava vida a Finn foi encontrado morto depois de ter sofrido uma overdose. Até hoje o episódio “The Quarterback” é um dos mais vistos e relembrados, além de ter sido o momento de arranjar novas soluções para o desenvolvimento da história.


Com toda a sua controvérsia, Ryan Murphy conseguiu a atenção de tudo e todos, reunindo uma longa lista de participações especais de figuras bem conhecidas como Neil Patrick Harris, Ricky Martin, Sarah Jessica Parker, Kate Hudson, Adam Lambert, Demi Lovato, Indina Menzer que dá voz à música Let it Go do filme Frozen e até uma das vencedoras do Oscar de Melhor Atriz, Gwyneth Paltrow. A critica não ficou indiferente e de entre as 205 nomeações a prémios, o projeto conquistou 79 estatuetas nas quais se incluem quatro Golden Globes e dezanove Emmy Awards.

A 19 de maio de 2009, a FOX lançou o primeiro capítulo sem saber que este seria uma ode ao estilo open mind, que iria influenciar a indústria um pouco por todo o mundo. Além de ter dado origem a um reallity show que procurava novos talentos na dança, representação e música, The Glee Project, as repercussões chegaram até ao nosso país com Morangos com Açúcar a ser envolvido num ambiente semelhante na temporada que lançou os nomes de Sara Matos e Lourenço Ortigão para o star system nacional.

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