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COMING UP | Game of Thrones - Episódio VI


Acabou. Está feita a despedida de uma das séries de maior sucesso de sempre, numa temporada final que não deixa tantas saudades assim. Um desfecho sem lágrimas, sem momentos épicos e algumas discordâncias, mas que mesmo assim nos faz aplaudir de pé Peter Dinklage, o verdadeiro herói e protagonista de toda a história.

Tyrion é destaque desde o arranque até perto dos últimos minutos, deixando apenas espaço para olharmos uma última vez para Jon Snow, Sansa e Arya. Ao longo de toda a season oito, os diretores usaram o ponto de vista do filho mais novo dos Lannister para quase tudo. Seja por uma questão de enquadramento, pela popularidade e proximidade com os fãs, ou simplesmente para antever que no fundo ele é o personagem principal. Mesmo assim, faltou à narrativa saber trabalhar o personagem para lhe oferecer algo maior. No fundo, e apesar do seu poder, talvez tenha faltado um plot twist, e sim a morte podia ter sido uma alternativa mais impactante.


Faltaram reviravoltas. Mas também foram oferecidas algumas respostas. Sabemos agora o porquê de Melisandre ter trazido Jon Snow de volta. Matar Daenerys foi a sua missão. Tarefa que lhe custou bem caro, de bastardo que passou a herdeiro da coroa, Aegon Targeryan conclui a sua jornada exilado na Patrulha da Noite. É o regresso ao ponto de partida. Numa visão mais poética até poderia ser o regresso do herói a casa, mas para quem assiste fica a mensagem de que ele nasceu para sofrer. Poucos ganhos se contam na história de Jon Snow. Sim venceu algumas batalhas, foi eleito Rei do Norte, conseguiu fama, contudo de quase nada lhe serviu. Um desenlace pobre para alguém por quem tantos torciam.

Falando em Daenerys, este capítulo vem oferecer uma perspetiva diferente. Talvez chamar-se louca não seja o mais correto. Na verdade, foi a imaturidade e falta de conhecimento que a fizeram soltar fogo em Porto Real. Um ponto de vista bem interessante, e talvez uma brecha que merecia uma exploração melhor do argumento. O desenvolvimento da personagem foi tão acelerado nesta temporada, que roubou espaço para acompanharmos a visão algo infantil que a Mãe dos Dragões tem para oferecer. Ela foi educada para venerar o Trono de Ferro, ouvindo contos épicos sobre vingança e guerra, e em toda a sua cruzada todos a aplaudiram sem saberem que consequências iam sair dali. Tyrion foi a voz de todas as teorias que circularam na internet nesta última semana. “Todos aplaudimos quando eram pessoas más, e ela percebeu que isso é bom”.


Ser uma franquia de tanto sucesso tem pontos positivos e negativos. Um deles talvez seja a quantidade de teorias que existem sobre cada núcleo. Em mil, uma delas terá sempre acertado no ponto, e talvez retire alguma magia a situações como a morte de Daenerys. Por mais que tentemos evitar spoilers, é praticamente impossível que não tenhamos esbarrado com alguma explicação ou título que indicasse que a Khaleesi seria assassinada. Daí até imaginarmos que seria Jon Snow o seu carrasco não demorou muito. Era uma solução fácil para o plot e nem a cena em questão ajudou a torná-la memorável. As lágrimas do filho de Lyanna Stark não convenceram, deixando passar a morte da personagem de Emilia Clarke como algo gratuito.

E o trono? Bem, Bran Stark é o novo regente dos Seis Reinos de Westereos. Apesar de acharmos que seria ele a chave para a resolução da luta contra os White Walkers, na verdade o Corvo de Três Olhos carregava uma missão bem diferente. Sem que nada o fizesse prever, o rapaz pareceu a escolha mais acertada para assumir o cargo. Inusitado? Sim. Apesar do longo monologo de Tyrion sobre os motivos pelos quais ele era o regente certo, faltou contexto que justificasse uma aceitação tão rápida de todos os mestres. Afinal de contas, quais são os grandes feitos conhecidos de Bran, o Quebrado? E já agora, onde foi ele durante a batalha contra o Night King? Nunca saberemos.


Há muito para dizer sobre o desenlace de Game of Thrones, assim como ficou muito para mostrar na HBO. A culpa é da redução de episódios? Sim. Mas também da falta de um fio condutor. Perdemos espaço a introduzir coisas cujo desenvolvimento foi quase nulo. Para quê deixar Brienne sobreviver à Longa Noite e ter aquela paixão toda com Jamie se depois nada disso tem importância? Sim, foi interessante, mas talvez tenha sido um gasto de tempo que obrigou a acelerar pontos mais fulcrais. O mesmo com a história de Gendry e Arya, que talvez mereça um spin-off. Apenas Sansa teve o que mereceu. Depois de conquistar todos os seus haters durante oito seasons, a filha de Ned Stark conseguiu independência do Norte e sentar-se no lugar que já todos sabíamos que lhe pertencia.

É difícil entregar um produto todo conectado num universo com tantas personagens como este. A decisão foi errada, e aquilo que poderia ter sido um final épico foi uma maratona de desleixos. Com pontos altos e baixos, terminou esta parte, porém Westereos não terá descanso. Já há vários projetos em cima da mesa, e como no marketing não se brinca, o mais provável é que em menos de um ano voltemos às histórias medievais dos Sete Reinos.

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