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COMING UP | Game of Thrones - Episódio III



Game of Thrones educou os seus fãs para esperarem sempre o que está fora do óbvio, do lugar comum, e esta é uma premissa que se pode virar contra o argumento. É o que acontece na Batalha de Winterfell, aquele que era esperado como um dos momentos altos da última temporada deixa quem assiste com a sensação de que faltou algo épico ao estilo do que aconteceu anteriormente.

Logo no início do episódio a edição mostra-nos uma sequência das personagens que vão defender as trincheiras do Norte contra os White Walkers, como se fosse um lembrete de quem poderíamos perder na disputa. Brienne, Jamie, Sam Tarley, Grey Warm, entre outros, são as cabeças a prémio. Mas não são eles o grande foco, Melisandre regressa à série para se reunir com aqueles que ela prometera que ainda iria ver novamente.

Destaque ao longo de todos estes anos, sabemos que a mulher de vermelho não estava simplesmente de passagem, e isso confirma-se logo de seguida em conversa com Ser Davos. “Antes do amanhecer já estarei morta”, é este o mote dos primeiros minutos que consegue impactar os fãs e adensar ainda mais a curiosidade sobre quem seriam as vítimas de guerra.


É dado o primeiro passo no combate, depois de o Senhor da Luz ter “abençoado” as espadas do povo Dothraki. A imagem carregada da série ilumina-se para nos dar alguns dos melhores planos do universo de Game of Thrones. Sob o comando de Jorah, o exército avança para lá da escuridão em direção ao desconhecido. Uma a uma, as luzes apagam-se, deixando no ar a ideia de morte dos guerreiros. Alguns regressam e a partir daí instala-se o tom que permanece até ao fim: Alguém com relevância no enredo vai morrer.

Praticamente todos os protagonistas estiveram cara-a-cara com os zumbis, num clima de tensão que não deixa ninguém indiferente e que causa vários sustos ao espectador. Aqueles momentos que nos fazem levantar da cadeira acontecem em sequência sem nos deixar recuperar o fôlego.


No meio de tudo isto, há espaço para continuarmos a entender o desenvolvimento de algumas personagens. Sansa e Arya, assistem ao início da luta nas muralhas do castelo, contudo rapidamente entendem que aquele não era o seu lugar. Sansa recusa-se a deixar o seu povo nas criptas sem que ela esteja com eles, afinal a filha de Ned Stark foi até à chegada de Jon Snow a regente do Norte, papel que parece querer manter no futuro. Por outro lado, Arya dá uso a todo o treinamento que teve ao longo dos anos e parte, também ela, para a batalha. As diferenças entre as personalidades das duas irmãs são visíveis nos diálogos e nas ações, nada acontece por acaso e talvez aquela conversa seja o ponto de definição das duas figuras.

Com Winterfell praticamente dominada, surge uma das mortes mais marcantes do episódio. George R. R. Martin parece continuar a gostar de matar os personagens favoritos dos fãs, e nem a pequena Lyanna escapou. A herdeira da casa Mormont despede-se da maneira mais fiel possível ao seu contexto e mesmo nos momentos finais consegue assassinar o seu agressor. Mas não é a única que termina a sua passagem pela história. “Foi o que fizeste que te trouxe onde pertences. A casa”, foi esta a forma de Bran Stark perdoar Theon que o defendeu até ao último segundo e deixou a trama como um homem arrependido, leal e honrado.

E se falamos em lealdade, Jorah é o senhor que encaixa neste conceito. Apesar de já ter traído a confiança de Daenerys no passado, ele prometeu que nada iria impedi-lo de lutar pela Mãe dos Dragões desta vez. E foi o que aconteceu, num dos momentos de sobressalto em que parecia ser o fim da linha para Khaleesi, o cavaleiro defende-a com a sua vida. Acabando por morrer nos braços da sua amada.


Com um plot carregado de momentos de ação, as soluções utilizadas não parecem coincidir com o estilo a que a HBO nos habituou. Depois de nos pregar algumas partidas com pessoas tão importantes, tudo se resolveu com Melisandre a desvendar o quebra-cabeças que tinha profetizado para a vida de Arya na última vez que se cruzaram. No momento em que a “bruxa” repete as suas palavras, todo o epilogo se transforma em algo previsível, uma resolução Deus Ex Machina que torna toda a preocupação com o The Night King em algo tosco. Afinal deixa espaço para que se levante a questão: “Tanta conversa sobre os White Walkers, para terminar de uma forma tão rápida? Sem que ele se cruze com a maioria dos personagens?”

Mas, estamos a falar de Game of Thrones e por isso não seria de estranhar que tudo seja justificado na metade que falta para o fim da série. A verdadeira guerra ainda está por começar e há muitas dúvidas no ar para serem esclarecidas. Melisandre terminou o seu percurso, mas será a última vez que ouvimos falar do Senhor da Luz? E o que terá significado toda a afeição entre Sansa e Tyrion? Quem é Arya depois de perceber o seu poder? Temos uma longa semana de espera pela frente.

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