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Fantastic Entrevista | "Cosido à Mão" - Susana Agostinho e Mariama Barbosa


Nesta edição do Fantastic Entrevista, contamos com duas convidadas especiais. Susana Agostinho e Mariama Barbosa são juradas no programa Cosido à Mão, da RTP1, que vai para o ar aos sábados à noite. Com a 2ª temporada prestes a chegar ao fim, estivemos à conversa com as duas caras do programa apresentado por Sónia Araújo, para falar sobre o seu percurso no mundo na moda e sobre o programa da estação pública.

SUSANA AGOSTINHO

A Susana é criadora de moda há 30 anos. Esta paixão sempre fez parte da sua vida? 
Aos 16 anos decidi ir estudar moda para o Citex, no Porto. Fiz os primeiros testes de entrada e entrei de uma forma super apaixonada nesta vertente da minha vida, que é a moda. O que eu sempre soube que queria fazer era desenhar vestidos de noiva, e isso é o que tenho feito ao longo destes 30 anos.

Como é que percebeu que queria seguir esta carreira?
Acho que há coisas que nascem connosco. Os meus pais trabalhavam na área têxtil, e por isso eu sempre me vi envolvida em trapos, envolvida em pedaços de tecido… e quase que adormecia enroscada neles. Isto é mais do que uma paixão, é uma segunda pele.

Sabemos que a excentricidade é uma das suas características mais naturais e isso acaba por se refletir nos seus trabalhos. Porque é que acha que isto acontece? 
Há até quem diga que eu sou uma falsa excêntrica, porque estou numa vertente da moda, que é a noiva, o que me torna muito clássica. Se isso se reflete nos meus trabalhos? Obviamente que sim, nos meus trabalhos que são para desfiles e coleções. Depois há que perceber que não estou em Nova Iorque, que Portugal é do tamanho de um alfinete, e que por isso eu sou super camaleónica nas coisas que faço. Desde que a última pincelada seja minha, e que eu perceba que o vestido, mesmo sendo muito clássico, tem um toque que é só meu.

Acha que um criador de moda deve ter sempre algo bastante pessoal das peças que faz?
Claro que sim, porque isso é o que diferencia alguém que faz moda, e alguém que faz moda por paixão. O último toque de uma criação de alguém que fez uma coisa desde raiz, como se fosse uma criança, é isso mesmo. É sentir que a peça é muito nossa. Nossa em termos de alma, que nós acrescentámos valor no que fizemos, e de alguma forma, todas as vezes que um dos meus vestidos sai para entregar à minha cliente, é um pedacinho de mim que vai conjuntamente com essa peça, e obviamente que ela tem que levar um toque meu. Muitas das vezes, e porque os vestidos não são para usar, mas sim para outras pessoas levarem aos respetivos altares, eu faço algumas coisas que eu própria acho que poderia ter feito diferente, mas é a cliente que desfila o vestido, é ela que o tem que sentir, e eu tenho de ser fiel à minha noiva, e tenho que ser fiel a quem transporta a roupa. Também porque ter imensos vestidos num charriot que não chegam a ir para a rua não faz de mim uma criadora, e eu gosto dessa mesma sensação que liberto as peças que faço.

Porque decidiu aceitar o desafio de ser jurada no Cosido à Mão?
Eu aceitei este desafio porque eu gosto de acrescentar valor na vida das outras pessoas, e perceber que deixei uma marca. Achei que no Cosido à Mão eu ia conseguir transmitir ao público que me estava a ver, e neste momento de uma forma global, a quantidade de informação que as pessoas têm acerca da roupa que vestem é muito pouca e muito exterior, e a roupa requer muita engenharia, muito estudo… há toda uma retaguarda na moda que as pessoas não têm noção que acontece antes de a vestirem, e explicar isso para o público, para mim foi uma coisa que me motivou. Depois, por outro lado, o fator de descobrirmos outros talentos e o que fazemos na vida nas pessoas.

Enquanto gravava o programa, quais foram as maiores dificuldades para os concorrentes?
Eu não tive dificuldades com os concorrentes. Eu acho que temos que olhar para os concorrentes e perceber que os concorrentes são pessoas que tal como nós, no início de carreira, têm dúvidas, medos, e por isso é preciso interagir com eles, e perceber que há coisas que na realidade eles têm de conseguir crescer e conseguir evoluir.

Como jurada, quais as características que considera fundamental a um candidato a melhor costureiro de Portugal?
Acho que uma das coisas que na realidade têm de existir é disciplina. Disciplina emocional, e disciplina de execução. Se as pessoas forem disciplinadas, requerem uma das características mais fundamentais, na minha opinião, para as pessoas que trabalham na moda. As pessoas têm que criar disciplina, no sentido em que têm de se concentrar antes de executar, têm que perceber o que é que vão fazer, têm de fazer planeamento.


MARIAMA BARBOSA

É a grande novidade do painel de jurados desta 2ª temporada. Porque decidiu aceitar o convite?
Um convite feito pelo Rui Ávila nunca se recusa. (Risos) Gostei do projeto, eu sou uma amante de moda e também gosto de desafios!

É relações públicas, mas a moda é a sua grande paixão. Como é que esta surgiu?
Muito cedo. Na década de 80, o meu tio foi manequim, e a moda já era assunto na minha família. Depois o Dino Alves surgiu na minha vida e foi através dele que se abriram as portas para este mundo mágico que tanto amo.

Um dos formatos de maior sucesso, no qual participa é o Tesouras e Tesouros da SIC Caras. É fácil para si tecer críticas sobre os outros? E estas são, normalmente, bem aceites?

Antes de mais, muito obrigado! O Tesouras e Tesouros continua no ar e as minhas críticas não são para o carácter de ninguém, falo simplesmente do look, e faço-o com carinho e sem achar que sou mais que os outros. Porque até para criticar temos que saber falar a verdade, mas educadamente. Até à data ninguém se chateou ou me disse nada, por isso penso que sim, que são bem aceites.

Quais as maiores surpresas - positivas e negativas - com as quais se deparou no formato da RTP?
As maiores surpresas foram ter percebido que existem talentos neste país maravilhoso, depois ter a grande equipa, que foi muito querida comigo. O negativo foi ter que enviar os concorrentes para casa, é difícil, pois não queremos cortar as assas a ninguém.

Acha que fazem falta na televisão em Portugal mais formatos como o Cosido à Mão? 
Sim, acho, Porque, com este tipo de programas, podemos encontrar talentos, muitas vezes com sonhos adormecidos.


Fantastic Entrevista -  Susana Agostinho e Mariama Barbosa
Por André Pereira
Agradecimentos: RTP / Ana  Gaivotas
Fevereiro de 2019

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