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"Segunda Opinião" | RTP1: O novo ano trará a vice-liderança?


O ano está prestes a terminar e chegou a altura de fazermos uma retrospectiva do que correu bem e menos bem na programação da RTP1, fazendo já alguns votos de mudança para 2020 e comentando as audiências.

A RTP1 passou, este ano, por algumas mudanças. Nas manhãs a "Praça da Alegria" manteve-se igual a si mesma, mas ganhou (finalmente) vida e afirmou-se como um formato essencial na programação do canal, uma vez que já faz parte da história da televisão portuguesa. As audiências do formato de Sónia Araújo e Jorge Gabriel subiram, fazendo frente ao "Você na TV!", mas perdendo para a SIC. Ainda assim, foi uma subida que ajudou também o "Jornal da Tarde" e mostrou que ainda há alegria na praça. No próximo ano espera-se que a RTP1 saiba continuar a inovar, estrear novas rubricas e promover mais as suas manhãs.

Passando para o inicio das tardes, temos o mesmo problema de há algum tempo atrás. A reposição das séries não ajuda o canal e o formato seguinte - "A Nossa Tarde". É preciso apostar nesta faixa, uma vez que a SIC e TVI oferecem ficção repetida. O canal público tem muita qualidade nas produções de ficção que faz. Depois de "Os Nossos Dias" e "O Sábio", que conseguiram bons resultados para a estação, o ano de 2020 poderia trazer uma nova novela. As audiências de cerca de 18% de share que as anteriores tramas faziam ajudam a manter a média-dia do canal mais alta.

Em abril de 2019, estreou "A Nossa Tarde", substituindo o tão adorado "Agora Nós". O fim da dupla Zé Pedro Vasconcelos e Tânia Ribas de Oliveira foi muito criticado e não parecia realmente a melhor opção. Agora, depois de avaliar o novo formato, percebemos que as tardes precisavam de mudança. O "Agora Nós" terminou quando saiu das manhãs. Além disso, a Tânia merecia um formato pensado para si, onde pudesse brilhar. As criticas iniciais ao estúdio e conteúdos do programa foram perdendo terreno e "A Nossa Tarde" está a entrar no coração dos portugueses, vencendo a TVI algumas vezes. No ano que vem, contudo, deve-se continuar a apostar em conteúdos mais leves, de modo a atrair também público mais jovem.

"O Preço Certo" marcou mais uma vitória em 2019. Não foi líder todos os dias. Perdeu muitos dias para a SIC. Mas o formato de Fernando Mendes é como a "Praça da Alegria", será eterno. Mesmo perdendo para a concorrência, tem boas audiências e é um dos pilares da RTP1. As mudanças de cenário e estúdio e a nova assistente vieram trazer uma lufada de ar fresco ao game show. Em comparação, também "Joker" deve continuar na grelha. Vasco Palmeirim é adorado pelos portugueses e o seu programa já mostrou que tem público fiel. Com algumas novidades, "Joker" deve realmente ser aposta por mais anos na RTP, tornando-se, quem sabe, no próximo "O Preço Certo", que está na programação há mais de 12 anos.

A ficção da RTP continua a inovar. "3 Mulheres", "Luz Vermelha" e também a série de humor "Desliga a Televisão" são apostas ganhas. O regresso de "Conta-me como Foi" foi uma brilhante ideia do canal, fazendo o estilo americano, de dar um intervalo entre temporadas nas séries. Espera-se mais apostas na área da ficção, mas também mais valorização por parte dos portugueses, que por vezes se queixam da ficção mas não olham para a RTP1, ficam-se pelas novelas da SIC e TVI. Portugal precisa apostar em mais séries, que vão dar trabalho a outros atores, não só aqueles que vemos em quase todas as produções das privadas.

Já a informação foi marcada pelos 60 anos do "Telejornal". A RTP soube usar essa data para valorizar o noticiário de José Rodrigues dos Santos e João Adelino Faria. As audiências subiram ligeiramente em todos os informativos mas o destaque maior vai para o "Portugal em Direto". O formato regional foi renovado e agora está mais parecido aos restantes informativos. Ganhou um ar mais sério e afastou-se da imagem de "meio programa informativo, meio entretenimento" que tinha. Em 2020 a estação deve preocupar-se em renovar a imagem do "Bom Dia Portugal", "Jornal da Tarde" e "Telejornal", dando-lhes uma imagem mais atual e tirando de vez o excesso de azul que existe.

Em termos de grandes formatos, tivemos "I Love Portugal" com a dupla que certamente ainda vai ser revista noutras apostas. Vasco e Filomena Cautela são o futuro da RTP1 e da televisão portuguesa. Talento e animação não falta aos jovens apresentadores. Também "Jogo de Todos os Jogos" de Filomena Cautela deve continuar em 2020, pois trouxe aos sábados uma animação diferente e tem ótimas audiências. Com isto, o "5 Para a Meia-noite" deveria também voltar às quintas-feiras. Já Herman José deve continuar "Cá Por Casa" e Zé Pedro Vasconcelos "Vai-se a Ver e Nada". Os programas de humor fazem parte do ADN da RTP1 e assim deve continuar.

No grande entretenimento, "The Voice Portugal" está praticamente confirmado. Já "Got Talent" também marcará presença na programação. Numa altura em que a RTP aposta em formatos de sucesso, porque não trazer "Chef's Academy" para o ar de novo? Também "Os Extraordinários" mereciam espaço na programação, com mais promoção, para não passar despercebido novamente. O canal deve também trazer mais formatos internacionais para antena.

 Nos fins de semana, é preciso inovar nas manhãs de sábado. "Aqui Portugal" está perfeito nas tardes (apesar da longa duração) mas nas manhãs e demasiado. Com profissionais como Vanessa Oliveira sem projetos, faria sentido apostar num programa diferenciado.

Com a queda da TVI a RTP1 tem sido a principal beneficiada. As audiências subiram um pouco e o segundo lugar está cada vez mais próximo. Se a RTP apostar nos dias úteis e domingos à noite podemos ter mais uma reviravolta em 2020.
 Segunda Opinião - 149ª Edição 
Escrita por Filipe Vilhena

Uma rubrica em parceria com o

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