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Fantastic Entrevista - Diana Costa


Diana Costa é uma das bailarinas de Dança Oriental nacionais mais reconhecidas da nova geração. Nesta entrevista, a artista bracarense falou-nos da importância da sua formação em Dança Clássica e Contemporânea para a Dança Oriental, das dificuldades em ser bailarina, da sua experiência pelo programa 'Achas Que Sabes Dançar', do seu plano de treinos e da importância dos concursos de Dança Oriental na sua carreira, entre outros temas.

Como surgiu a tua paixão pela Dança Oriental?
Comecei a dançar dança oriental aos 12 anos, longe de pensar que ia ser umas das minhas grandes paixões. Então posso dizer que foi um amor inocente à primeira vista. Muita gente conheceu a dança oriental através da novela O Clone, e eu não fui exceção, sempre fiquei com a ideia de um dia experimentar. Esse dia chegou e permaneceu...diariamente encontro motivos que me fazem apaixonar e "reapaixonar" por esta arte.

Quem são as tuas maiores influências artísticas?
As minhas influências não são só dentro da comunidade da dança oriental, para concretizar as minhas ideias coreográficas procuro diferentes influências. Posso dizer que sou uma sortuda porque tenho grandes artistas que me rodeiam e que me inspiram não só com a sua arte mas também como pessoas,  sendo uma das mais importantes o meu companheiro e bailarino Deeogo Oliveira. 
No meu caso, a minha inspiração é livre. A dança oriental é uma arte sem rótulos e por isso tudo é capaz de nos influenciar. Desde a Pina Bausch, Loie Fuller, Chaz Buzan, Daniel Cloud Campos, Eddie Reymane, Ruy de Carvalho, Jessie J, entre outros até a Alida Lin, Esmeralda Colabone, Dariya Mitskevich e Vaagn Tadevosyan.


Para além de Dança Oriental, tens formação em Ballet Clássico e Dança Contemporânea pela Escola Profissional Balletteatro. Quais os contributos que a Dança Clássica e a Dança Contemporânea dão à tua dança?
Para mim o ballet clássico foi fundamental para ganhar consciência de toda a minha postura corporal, um grande trabalho de pernas e de pés. Ajuda na flexibilidade e equilíbrio, na leveza dos movimentos e na utilização do espaço, coisas que encontramos na dança oriental. O contemporâneo ajudou-me a libertar e a explorar a criatividade porque muitas vezes nos são dadas propostas de movimento em improvisação muito complexas.

Quais são as maiores dificuldades de viver da Dança em Portugal?
Durante muitos anos vivi do que a dança me dava mas não chegava para investir naquilo que eu pretendia. Recentemente tomei a decisão de ter um trabalho dito normal, para me ajudar a conseguir alcançar maior estabilidade e segurança financeira, o que já me permitiu concretizar um dos meus grandes sonhos que era ir ao Egipto.

Conta-nos um momento marcante na tua carreira.
Felizmente tenho muitos momentos marcantes mas vou salientar um de que me orgulho muito. Ganhar a solo e com o meu grupo de alunas, Kawiun, no Oriental Dance Weekend em 2018. Foi algo que não estava à espera, tanto a solo como com as Kawiun, o pensamento era de usufruir do momento e da nossa dança. Ficamos radiantes com o resultado e ver o brilho dos olhos delas foi  inexplicável.


Relata-nos um momento de dificuldade na tua carreira.
Para mim não existem momentos difíceis, existem momentos menos fáceis. Vivo a minha vida de uma forma muito positiva e levo isso para a dança. O que existe de difícil é o que nos faz sair da zona de conforto e que por sua vez, nos faz trabalhar para evoluir. A decisão de ter um trabalho paralelo à dança foi um momento menos fácil.

Em 2015, participaste no programa da SIC “Achas que Sabes Dançar?”. Como foi esta experiência?
Participar no "Achas que Sabes Dançar" foi uma experiência enriquecedora porque é mais uma vertente do mundo dança que vivenciei. Sou uma pessoa que gosta de dançar num todo e lá tive a oportunidade de conviver e aprender com outros profissionais. A ideia principal ao participar neste tipo de programa era ter mais uma forma de promover a dança oriental fora da comunidade. No casting que passou na televisão, fiquei um bocado triste porque percebi que um dos jurados nem sabia que Dança Oriental é diferente de Bollywood e quando passaram a minha prestação, passaram com a música "Jai Ho", o que não é de todo aquilo que eu levei, mas uma vez passado na televisão já não há nada a fazer. Entretanto fui passando a fase do hip-hop, das danças de salão e fiquei pela criação em grupo. No final, senti que não consegui realmente concretizar o meu objetivo mas fiquei muito contente porque senti um apoio enorme e uma união da comunidade.


Qual a tua opinião sobre este tipo de formatos para quem quer seguir uma carreira na área da dança?
Tudo o que é televisivo está ligado ao consumo que por sua vez está ligado ao comercial. Palavra que, em Portugal, tende a ter uma conotação negativa mas na verdade, o que realmente quer dizer é estar no mercado de trabalho, por isso eu acho que tem tudo para ser vantajoso. É apenas mais uma forma de publicitar o artista, isto como bailarina, como actor acredito que possam adquirir boa carreira apenas com a televisão.

Desde 2011 que participas em vários concursos de festivais de Dança Oriental nacionais e internacionais. Sendo que esta vertente competitiva é algo muito presente no campo da Dança nos dias de hoje (a Dança Clássica, a Dança Desportiva e as Danças Urbanas são alguns exemplos), perguntamos-te a mesma questão que fizémos à bailarina Joana Saahirah em 2017: qual a tua opinião sobre os concursos e sobre a competição na tua área profissional? 
Sinto que este tema é o grande tema da actualidade, até porque mexe com a nossa auto-estima. Tem as suas vantagens e desvantagens. Eu uso os concursos para me auto-desafiar e ter um objetivo concreto de treinar algo para mim. Gosto do lado competitivo mas num sentido de evolução e de auto-superação. A grande desvantagem que vejo é que não ajuda em nada a união dentro da comunidade. A comparação existe e vai sempre existir, o mais importante é sermos fiéis a nós próprias e perceber que o que fazemos é arte e avaliar arte é muito subjectivo. O grande problema são os resultados que obtemos, infelizmente parece que estes valem mais do que a arte que desenvolvemos.


Podes falar-nos um pouco sobre o teu plano de treino?
O meu plano de treino consiste numa alimentação cuidada, exercício físico e reforço muscular. Para além disso, dou aulas diariamente e para várias faixas etárias, o que exige uma consciência maior da minha própria dança. Tenho também vários treinos específicos de coreografia que requerem muita disciplina, uma vez que a maioria do tempo treino sozinha. Um plano de treino é algo muito importante para queremos evoluir de forma eficaz. Contudo, sinto que ainda posso melhorar bastante neste campo.

Qual a tua visão sobre a Dança Oriental portuguesa actual?
Sinto que é uma arte que está a evoluir e a conseguir resultados bastante positivos. Desconhecida por muitos e que como em outras, não há apoios para que ela possa evoluir de uma maneira mais rápida. Vivemos muito da comunidade e para a comunidade. 

Que dicas dás às bailarinas que estão a surgir e que querem seguir a Dança Oriental de forma profissional?
Uma vez conhecendo e sabendo aplicar os fundamentos desta arte, o mais importante é a originalidade e a criatividade. Criar uma marca própria não é fácil, é necessário muito esforço, dedicação e estudo.


O que achas que se pode fazer para a Dança Oriental se desenvolver em Portugal?
Portugal é um país pequeno. A comunidade portuguesa de dança oriental é ainda mais pequena e todas nós nos fechamos, naturalmente, nos círculos de conforto. A união entre a comunidade pode ainda ser maior à qual irá contribuir positivamente na divulgação de toda a dança oriental. Criar eventos, cruzar conhecimentos entre profissionais, intercâmbio de alunas apoiar e incentivar as mesmas a criar o seu próprio caminho, são algumas das possibilidades que podem fazer uma grande diferença.

Se te pedisse para nomeares um livro, uma peça de dança e uma música que aches que toda a gente precise de ler, ver e ouvir, quais seriam? E porque é que os escolherias?
O livro que nomeio é “O Monge Que Vendeu o Seu Ferrari”de Robin Sharma. A peça de dança é “Le Sourire du Naufragé” de Claire Ducreux e a música é “Esse Olhar Que Era Só Teu” de Dead Combo. As nomeações que fiz não são algo que tenham obrigação de ler, ver ou ouvir, para mim fizeram sentido e inspiraram-me no momento em que as vivenciei, o que não significa que todos vão sentir o mesmo. 

O que é que ainda gostavas de alcançar na tua carreira?
Quero construir um sítio dedicado à dança oriental, com tudo o que será uma mais valia para a evolução de quem a pratica. Tenho também como ambição, viajar por todo o mundo a dar a conhecer e a partilhar a minha arte. Felizmente, já começo a realizar esse sonho.

Fantastic Entrevista - Diana Costa
Por Rita Pereira
Novembro de 2019

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