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COMING UP | The Boys



Fã de Super-heróis? Esta pode ser uma série que lhe vai interessar! Cavalgando na nova era de ouro do subgénero, a Amazon Prime vem apresentar o verso da medalha e provar que num mundo real as figuras e divindades que preenchem o imaginário e as páginas de Banda Desenhada não seriam tão puros e perfeitos quanto aparentam. É uma montanha russa de 8 episódios regados com violência acima da média e uma proposta bem crua e realista, longe do estereótipo teenager e a milhas de ser family&friendly.

Todo o plot é uma critica à forma como os grandes astros das várias áreas se comportam na sociedade de hoje em dia, com o twist de que na realidade apresentada na história, os seres que vestem uma capa e combatem o crime vivem entre nós. Navegamos por uma releitura do que é ter poderes, a superioridade, a corrupção, e em cada episódio jogamos o jogo das aparências. Imagine que Naomi Campbell seria uma super-herói, ou Donald Trump, enfim, imagine qualquer celebridade com alguns seguidores e pense como seria se essa figura tivesse algum poder sobrenatural, aí tem a premissa de The Boys.

Ninguém é inteiramente bom ou mau, e nesta série equilibramos a balança fazendo descer do pedestal os Super-heróis. Neste universo, vários seres humanos (ou não) têm poderes especiais, mas ao contrário do que pensamos eles não combatem pelo amor e pela justiça, mas sim para garantir mais uns segundos de fama e conquistar ainda mais os seus seguidores. A trajetória de cada humano com poderes é vista como uma carreira e agenciada por empresas bem oleadas. Tudo é encenado, previamente fabricado, mas vendido como real pela Vought. Uma multinacional que funciona como promotora dos “Supers” gerindo um longo universo de merchandising, atuando como relações publicas em situações duvidosas, e atribuindo missões aos seus “agenciados”. Contudo, e apesar de ter vários heróis na sua lista de contactos, esta empresa tem a sua equipa de ouro: The Seven.


Todo o lado mitológico da construção desta equipa tem paralelismos com os universos Marvel e DC. Homelander é o casamento entre os poderes cósmicos do Superman e o ícone de defesa dos EUA, o Captain America. Já Queen Maeve é uma cópia descarada de Diana Price, a Wonder Woman da Justice League. A-Train é tão rápido quanto Flash e Quicksilver. Translucent é a versão masculina e pouco apropriada da Invisible Woman de Fantastic Four. Enquanto The Deep é o herói dos mares, uma sátira ao Aquaman que ainda consegue a proeza de gozar com os estereótipos da fase negra da personagem. Uma construção lógica para trazer alguma familiaridade e proximidade do público, para de seguida acabar com a magia e mostrar o lado podre de cada um dos membros da equipa.

Quem espera que esta seja uma versão em que os heróis se acham superiores e por isso têm atitudes de ditadores, vai ter isso, mas vai ter muito mais. O argumento aborda a forma como encaramos as Figuras Públicas, a maneira como deixamos que nos influenciem, a força do marketing que cada um dos Heróis tem, as vantagens políticas e sociais e ainda os danos colaterais. Bem diferente da visão do MCU com os Acordos de Sokovia de Captain America: Civil War, aqui vemos um dos “guardiões” do planeta a desintegrar uma jovem e encarar esse ato como algo banal e secundário que não significa nada na vida de um Super-Herói que nos defende de ameaças gigantes. Uma visão bem chocante e que serve de ponto de partida para apresentar o grupo de “antagonistas”, os The Boys.


Destroçado com a morte da namorada, Hughie procura uma forma de conseguir justiça. Sem querer acaba por cruzar caminho com Butcher, um homem que também já sofreu nas mãos dos Seven. A partir daí inicia-se uma guerra para conseguir deitar abaixo a fama do grupo, enquanto a empresa Vought caminha a passos largos para introduzir os seus “Supers” como membros da defesa nacional, a par do exército. Rapidamente os anti-heróis passam a roubar a cena e o carinho de quem assiste e apesar das suas escolhas nem serem moralmente as mais corretas conseguimos criar empatia e realmente torcer para que no final os supostos “vilões” vençam. Um storytelling que segue a mesma lógica dos anti-heróis de La Casa de Papel.

Vivemos um constante dilema. Esta é uma série de choque capaz de arrasar a infância de qualquer fã das Bandas Desenhadas, mas ao mesmo tempo eletrizante. É o conteúdo necessário e perfeito para a época em que estamos, com todos os condimentos para melhorar ainda mais e efeitos especiais que fazem inveja a muitas grandes produções. Nunca sabemos quem se vai realmente safar no meio de toda a ação, e só por isso a série já tem mérito, mas ganha ainda mais pelo paralelismo absurdo da maneira como encaramos a sociedade e nos deixa a pensar até onde iriamos para conhecer, estar ou seguir os nossos ídolos. É a alavanca que faltava no streaming da Amazon Prime que deixou ganchos perfeitos para a segunda temporada, que se espera ainda mais brilhante que a primeira.

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