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Segunda Opinião | Lip Sync Portugal

Foto: SIC / Direitos Reservados
Chegou a Portugal a versão portuguesa de "Lip Sync", o programa original americano que põe famosos a cantar em playback e que tem feito sucesso em todo o mundo. João Manzarra e César Mourão são os apresentadores do formato, que conta com Débora Monteiro como DJ residente. "Lip Sync Portugal - Playback Total" acabou por se revelar uma desgraça e nem a boa produção salvou o formato português.

Na versão norte-americana, "Lip Sync" tem uma duração aproximada de 30 minutos e é emitido em diferido. Em Portugal, a SIC decidiu mudar o conceito e transformou o formato num programa com mais de duas horas - e, na estreia, emitido em direto. Com apenas 4 concorrentes e duas atuações convidadas, "Lip Sync Portugal" acabou por se transformar num verdadeiro "enche-chouriços". A primeira ronda de imitações - que os apresentadores chamaram de "aquecimento" era completamente dispensável, uma vez que os participantes nem caracterizados estavam.

João Manzarra e César Mourão estiveram iguais a si mesmos e isso deveria ser um sinal positivo para o programa. Mas talvez, por estaren demasiado à vontade, tudo soou a exagersdo. Depois de participar em "Vale Tudo" e ter conduzido formatos como "D'Improviso" e "Terra Nossa", César Mourão encontra agora outro registo na apresentação de "Lip Sync", num formato que lhe dá menos espaço para o improviso e no qual não está totalmente à vontade. 

Mas como se costuma dizer, estar à vontade, "não é à vontadinha", e foi assim que a dupla de apresentadores esteve ao longo de todo o programa. Na verdade César e Manzarra passaram a noite a trocar piadas e a "picar-se", resultando em momentos sem graça e que nada acrescentaram a formato. Débora Monteiro também parece não trazer nada de novo ao programa, acabando por ter um papel ingrato. Ainda assim é de louvar o esforço e energia da atriz durante o espetáculo.

A produção de cada actuação acaba por ser o grande destaque. Com um palco cheio de adereços e bailarinos, a versão portuguesa de "Lip Sync" não fica nada atrás da americana. O próprio cenário está ao nível do original e superiores a outras versões, como é o caso da versão britânica. Quanto aos concorrentes da estreia - Clara de Sousa, Áurea, Sara Matos e Diogo Amaral - não houve um grande destaque, até porque as actuações foram muito  semelhantes a outras já  vistas em versões internacionais - em especial a da vencedora da noite, Sara Matos, cuja interpretação de "Wrecking Ball" acabou por ser igual à de Anne Hathaway na versão americana.

Como convidados marcaram presença Carolina Patrocínio e três das suas irmãs - como Spice Girls - e Raúl Meireles, a grande surpresa da noite. O momento em que o ex-jogador de futebol imitou António Variações foi o grande destaque da noite. Divertida e surpreendente, esta foi também uma forma de Meireles brincar com as semelhanças físicas entre ele e o cantor português. O momento já se tornou viral nas redes sociais.

Em termos audimétricos, "Lip Sync Portugal" não liderou audiências, mas ultrapassou a meta do 1 milhão de espectadores - um resultado razoável, mas que ainda pode ser melhorado. Basta para isso trazer mais ritmo ao programa, começando por reduzir a duração (90 minutos seria mais do que suficiente) e apostar, sobretudo, em atuações originais - em especial de cantores nacionais. "Lip Sync" não cantou nem encantou, mas o playback ainda pode trazer alegrias à SIC - basta a produção e o canal estarem atentos.


Segunda Opinião - 139ª Edição 
 Uma rubrica em parceria com o

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