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Segunda Opinião | "12 formatos televisivos que marcaram 2017"


Na última edição de 2017 do Segunda Opinião, o Fantastic e o Diário da TV faz uma retrospectiva a 12 formatos que marcaram o ano que termina e que fizeram parte da nossa rubrica. Ficção, informação e entretenimento são as apostas que destacamos nesta edição especial do Segunda Opinião.

Ministério do Tempo (RTP1)

Ministério do Tempo estreou a 2 de janeiro na RTP1 e prometia ser “a melhor série de todos os tempos”. O trocadilho é evidente, a frase parece exagerada, mas Ministério do Tempo arrisca-se a ser, pelo menos, uma das melhores apostas do ano da estação pública.

O guião peca por alguns diálogos menos bem conseguidos, mas a linha narrativa desenvolve-se da forma certa. Atento à veracidade e factos históricos relatados, não se exige de Ministério do Tempo um rigor histórico total – afinal trata-se de um produto de ficção –, embora este seja importante.

Tecnicamente, Ministério do Tempo não fica atrás do original. Embora siga quase à risca as ideias cénicas da série espanhola, a versão portuguesa tem momentos adaptados exclusivamente à nossa realidade. Todo o trabalho de efeitos especiais, sobretudo no uso de chroma key, acaba por convencer, mostrando que em Portugal também é possível fazer bons trabalhos do género com um orçamento reduzido.

Sim, Chef! (RTP1)

De registo cómico, Sim, Chef! estreou no canal público no dia 4 de janeiro de 2017, assumindo as noites de quarta-feira. Esta é uma série leve, divertida e com ingredientes simples, mas que juntos resultam e conseguem torná-la única.

Sim, Chef! fez regressar a ficção que o canal público transmitia antes mas com mais qualidade e num horário apropriado, o das 21h. A Mãe do Senhor Ministro, Os Compadres ou Hotel 5 Estrelas são algumas das sitcoms mais recentes que foram aposta da RTP1. Séries que podiam ter resultado se fossem transmitidas às 21h, horário que “foge” àquele em que as privadas transmitem as suas telenovelas de maior audiência.

Sim, Chef! sai a ganhar por ser um produto que não é demasiado popularucho, mas também não é elitista no que respeita ao tipo de humor. Foi a sitcom que faltava à televisão portuguesa. No fundo, esteve mesmo “no ponto” e pronta a ser degustada todas as semanas na RTP1.

Agarra a Música (SIC)
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Com apresentação de João Paulo Rodrigues e Cláudia Vieira, Agarra a Música estreou a 15 de janeiro de 2017 nas noites de domingo da SIC.

O programa baseia-se no original Cue The Music e colocou duas equipas de famosos em competição, onde estes tinham sempre de adivinhar qual o tema musical de que se falava com quatro opções de resposta.

Agarra a Música foi, acima de tudo, um programa cheio de dinâmica e muito descontraído, tendo a receita certa para brilhar. O seu principal objetivo foi mesmo esse: fazer o espectador rir e passar bons momentos de televisão.

Filha da Lei (RTP1)
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Em 2013, nasceram Os Filhos do Rock. Três anos depois, a Stopline Films e a RTP voltam a juntar-se na criação de uma série portuguesa. Filha da Lei surge envolta em grande expetativa e a nova aposta da estação pública não desilude, provando que é possível fazer uma ficção boa e diferente em português.

Se procura uma das típicas séries policiais a que estamos habituados a ver em Portugal, Filha da Lei não é para si. Não tem tanta ação como O Bairro (TVI) nem é demasiado familiar como Inspetor Max (TVI). Na verdade, a nova série da autoria de Pedro Varela acaba por ter uma linguagem visual e narrativa muito própria, não podendo ser comparada a nenhuma outra produção. Será, acima de tudo, uma série bastante real. Uma realidade nua e crua, como é raro ver em televisão.

A série portuguesa vai mais longe, ao voltar a aproximar-se da linguagem cinematográfica. Depois de Terapia, esta é provavelmente a série da RTP1 que melhor consegue isso. A direção de arte de Nuno Mello é também responsável pela criação dos ambientes, espaços e dinâmicas completamente adequadas à ação da história. Por momentos, acreditamos que "aquela casa" é mesmo "a casa daquela pessoa" e não um cenário montado para a série.

Got Talent Portugal (RTP1)

Got Talent Portugal regressou à RTP para uma nova temporada, recheada de talento, surpresas e momentos de emoção. Tivemos também novos apresentadores e uma nova jurada, que de certa forma trouxeram uma lufada de ar fresco ao programa.

Sílvia Alberto e Pedro Fernandes sucedem a Vanessa Oliveira e José Pedro Vasconcelos na condução do Got Talent Portugal. Na sua estreia, mostraram funcionar enquanto dupla e provaram que merecem o lugar onde estão. À postura mais extrovertida e engraçada de Pedro Fernandes junta-se a beleza e serenidade de Sílvia, mostrando uma dupla equilibrada, onde ambos tem o seu espaço para brilhar. Foram duas excelentes aquisições para complementar o formato.

O painel de jurados surgiu desta vez reduzido. Das duas temporadas anteriores transitam Manuel Moura dos Santos e Pedro Tochas, que continuam a conquistar o público. Manuel perdeu a imagem de arrogante e passou a ser encarado como uma figura engraçada e carismática pelos comentários inusitados que faz. Já Tochas é visto como um jurado de grande equilíbrio, pois apesar do seu lado brincalhão este consegue mostrar sensibilidade nas atuações dos concorrentes.

Pesadelo na Cozinha (TVI)

Estreado na TVI a 12 de março de 2017, "Pesadelo na Cozinha" foi um fenómeno de audiências em Portugal, tendo-se aproximado, na penúltima semana, dos 20% de rating.

Uma das razões do sucesso é o Chefe Ljubomir Stanisic, que consegue ser 100% direto nos seus comentários. Muitos acham que é demasiado rígido mas a verdade é que, por vezes, para se conseguir atingir o sucesso é necessário manter uma postura mais séria e o protagonista do formato da TVI é exemplo disso. 

O programa conseguiu trazer algum público dos canais de cabo, que vieram pela novidade e diferença que o conceito de formato transmite, mostrando assim o caminho que as generalistas devem seguir. Inovar é um risco mas os frutos podem dar resultado. 

Apanha se Puderes (TVI)

Apanha se Puderes estreou dia 13 de março deste ano na TVI com o objetivo de roubar a liderança a O Preço Certo, da RTP1. Desde logo o programa somou um enorme sucesso e Cristina Ferreira e Pedro Teixeira mantém-se hoje como aposta fiel na estação de Queluz de Baixo.

Para este concurso, a TVI apostou numa das suas caras mais fortes: Cristina Ferreira, que passa assim a estar menos presente no "Você na TV!" para conduzir o Apanha se Puderes. Cristina é sem dúvida umas das atrações do formato, pois os espectadores prezam muito a apresentadora e esta é sinónimo de sucesso em tudo o que faz. 

Ao lado de Cristina aparece Pedro Teixeira, embora com um papel mais secundário. O ator assegura assim a reação dos concorrentes depois de "caçarem" os prémios. Pedro Teixeira torna-se assim uma peça fundamental no formato, pois acaba por ser um elo de equilíbrio.

Com uma dupla de sucesso, Apanha se Puderes é uma boa aposta na TVI. A sua construção e mecânica merece também destaque, pois é outro dos elementos que trazem boas audiências. O programa tem ritmo, traz o tema da cultura geral (que é sempre interessante) e consegue despertar emoções nos espectadores em casa.

E Se Fosse Consigo? (SIC)

E Se Fosse Consigo? estreou a sua segunda temporada a 25 de setembro, trazendo de volta os temas mais polémicos da sociedade, muitas vezes deixados de lado pela sua peculiaridade e divisão de opiniões.

Este é um programa que sai à rua e estuda o comportamento do povo português nas mais diversas situações. O formato mostra Portugal na sua realidade pura e crua. Somos um povo solidário para com o próximo? O que faríamos se víssemos alguém a agir mal em plena praça pública? É esta a pergunta a que o informativo responde.

Com este formato - que em, certos pontos, faz lembrar o Nós Por Cá - regressou também Conceição Lino, que (finalmente) se voltou a mostrar nos ecrãs. A apresentadora é uma das caras principais do canal e o seu reaparecimento na informação, que é a sua 'praia' de origem, deixou os espectadores muito contentes.

Conceição Lino mostra mais uma vez ser uma profissional à altura, que se entrega de alma nos projetos que lhe competem. Passou a dizer 'boa noite' em vez de "Boa Tarde" na SIC mas, e contra todas as polémicas, continua a provar que é uma das melhores da sua área.

País Irmão (RTP1)

O argumento de País Irmão é de João Tordo, Tiago R. Santos e Hugo Gonçalves, um trio de escritores que desperta de imediato a curiosidade do público. A verdade é que o guião de País Irmão é um dos pontos-chave para o sucesso do formato. A comédia está lá, nas entrelinhas, mas a história segue de uma forma dramática e bastante realista.

Situações caricatas, personagens disformes e cómicas e muita crítica social são os elementos cruciais da história. Mas País Irmão nunca cai no exagero. Pelo contrário. O humor funciona porque se insere numa realidade dramática criada pelos argumentistas. 

A realização de Sérgio Graciano ajuda também a que a produção conquiste o espetador. À semelhança do que aconteceu com Filha da Lei, mas agora num contexto totalmente diferente, a Stopline cumpre o que é suposto e traz-nos ainda uma boa fotografia. Talvez por ser o primeiro episódio, o ritmo da montagem podia ter sido diferente, mas nada que comprometa a atenção do espetador.

Biggest Deal (TVI)

"Biggest Deal" chegou aos ecrãs da estação de Queluz de Baixo no inicio de outubro, trazendo o regresso não só dos reality show's como também de Teresa Guilherme, que volta aos programas do género depois do final de "Casa dos Segredos 6".

O formato trouxe consigo um conceito diferente dos habituais formatos do género, como "Big Brother", "Quinta das Celebridades" ou "Secret Story", uma vez que mistura o conceito de empreendedorismo com solidariedade.

A escolha de Teresa Guilherme para a condução de "Biggest Deal" não foi surpreendente, mesmo com as noticias que ditavam que seria afastada dos reality shows. A verdade é que "bom filho à casa torna" e a 'Rainha' não seria excepção. Contudo, e ao contrário do que acontece nos outros reality's que conduziu, a apresentadora não mostra estar na sua melhor forma. Os erros em direto são frequentes e mostram que Teresa está cansada e não se sente bem com este 'género', pois afasta-se do "Big Brother", "Love on Top" ou "Secret Story"- a sua 'zona de conforto'.

As audiências não foram  favoráveis e o formato perdeu, em uma semana, o horário de domingo - passando a ser transmitido sábado, pelas 22h45. As promoções ao programa não foram fortes, assim como o cariz dos concorrentes parece não ter conquistado. Tudo isto, aliado à postura de Teresa Guilherme pode estar na origem do insucesso de um negócio que tinha uma boa sinopse para ser um 'Biggest Deal'.

Cosido à Mão (RTP1)

Depois dos cantores, dos dançarinos, dos cozinheiros, dos pasteleiros, dos acrobatas ou dos mágicos, chegou a vez de encontrar os melhores costureiros de Portugal. Cosido à Mão estreou na RTP e é a nova aposta da estação aos sábados à noite.

Apresentado por Sónia Araújo, o concurso é produzido por Shine Iberia e aproxima-se de um formato internacionalmente conhecido – Project Runway. Mas, ao contrário do que acontece no concurso apresentado por Hedi Klum – e que teve uma versão portuguesa, na RTP1, em 2010 – os concorrentes não são aspirantes a designers de moda e sim a costureiros.

Tal como é habitual em formatos do género, o carisma dos concorrentes é um dos pontos fortes do sucesso. E o lote de participantes do Cosido à Mão parece ter sido realmente bem escolhido. Os concorrentes são bastante diferentes, vêm de diversas localidades e as faixas etárias são também variadas. Uma mistura interessante, que promete dar muito que falar nas próximas semanas.

Numa altura em que a Shine Iberia é responsável por formatos pré-gravados como Masterchef, The Voice Portugal ou Best Bakery, o Cosido à Mãosurge para provar a versatilidade desta produtora. Bom ritmo de montagem, realização também bem conseguida. Um formato que mistura a arte e o entretenimento, de uma forma dinâmica – com os seus pequenos momentos de humor muito bem conseguidos.

Nunca Digas Nunca (TVI)

A TVI estreou no dia 18 de novembro a sua nova aposta das tardes de sábado. Nunca Digas Nunca é o nome do formato que prometia pôr à prova os medos dos portugueses. Mas de assustador teve muito pouco.

O programa começa por pecar na sua excessiva duração. Nunca Digas Nunca é emitido entre as 16h15 e as 20h00, quatro horas em direto que em nada ajudam na mecânica. A duração ideal passaria pelas duas horas, começando pelas 18h e concentrando-se mais nos jogos com os concorrentes.

Em vez disso, Nunca Digas Nunca acaba por ser uma mistura pouco conseguida – mas que ainda vai a tempo de ser corrigida. Os jogos não põem à prova as fobias dos concorrentes, são sim jogos engraçados ou de destreza, muitos deles semelhantes a outros formatos da concorrência – como é o caso do Vale Tudo ou Cante se Puder, da SIC. 

Não deixa de ser notório o esforço da TVI para apresentar um formato diferente nas tardes de sábado. Do grafismo ao cenário, passando pelo conceito e até nas escolhas musicais, Nunca Digas Nunca é realmente diferente do que a estação nos habitou no horário. 


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